Resenha – Série A Seleção (3 volumes)
por Patricia
em 15/06/15

Nota:

119303551_1GG

Recentemente, o mundo da literatura jovem foi tomado por comentários (e certo desespero) por A Herdeira – quarto volume da série A Seleção da autora Kiera Cass. Como esse quarto volume sai um pouco do enredo principal que vemos nos primeiros três, resolvi juntar os primeiros volumes em uma única resenha. Portanto, essa será um pouco mais longa que o normal.

A Seleção é uma distopia com o seguinte cenário: depois de uma guerra muito séria, os Estados Unidos virou Iléa e abandonou a democracia para virar uma monarquia. Abandonaram também o bom senso e criaram castas que dividem a sociedade: de 1 a 8 temos de ricos a pobres, de realeza a mortos de fome.  Muitas pessoas se identificam pelo número: “tal é um 2”, por exemplo. Claro, a mistura de classes não é bem vista. A menos que seja uma maneira manipulada de acalmar os ânimos da população faminta.

A Seleção é um ritual onde o príncipe escolhe sua esposa: 35 meninas de todo o reino são selecionadas – independente da casta – para participar desse processo que inclui, mas não está restrito a: usar muitos vestidos, usar muitas jóias (emprestadas, claro), aprender a lidar com as visitas importantes do Rei, aprender a organizar festas maravilhosas e, de vez em quando, dar alguma opinião sobre política (de preferência, exaltando as ações do Governo).

Se você conhece o programa The Bachelor, que passa nos Estados Unidos – e passou por aqui algum tempo se não me engano – é mais ou menos isso. Nesse caso, o príncipe de 18 anos escolhe uma mocinha entre 35 que estão à sua disposição julgando-as em um contexto fabricado de “realidade”.

A história é narrada do ponto de vista de uma dessas meninas, America Singer (que vai entrar para a lista de nomes mais cafonas de YA). America é jovem e é uma 5. Sua família passa necessidade e levam a vida com esforço. Ela gosta de um mocinho 6 – Aspen – um grande problema caso queiram ficar juntos no futuro.

Quando uma nova Seleção é marcada para escolher uma princesa para o jovem príncipe Maxon, America se inscreve sem considerar muito a possibilidade de ser escolhida. A vantagem de participar da Seleção, se você for pobre, é que enquanto você está no processo entre as 35, sua família recebe uma “mesada”. Tudo vem acompanhado de fama e a possibilidade de conseguir maridos bons uma vez que Maxon lhe rejeitar. Ela é, claro, escolhida para participar da Seleção e vai morar no castelo com outras 34 meninas de diversas castas. Começa o processo de treinamento e eliminação.

A boa sacada de Cass foi ter dado alguma personalidade para America. Por ser pobre, America viu muita pobreza no seu dia a dia costuma soltar alguns comentários nada felizes sobre a real situação do país para aqueles que vivem em uma bolha de ignorância e vestidos bonitos. Ela deixa claro no começo do processo, por exemplo, que está ali pela comida e não pelo possível marido – como passou fome algumas vezes, ela quer aproveitar ao máximo a boquinha. Ela se torna, digamos, a anti-princesa logo de cara. Tirando essa aura de “quero ser perfeita para casar”, a autora consegue pelo menos fazer com que America seja uma personagem interessante e até engraçada em alguns momentos.

Claro que ela vai se apaixonar por Maxon, claro que Aspen vai morar no castelo também quando se inscrever para ser guarda e claro que teremos um triângulo amoroso. Esses são os clichês básicos do gênero, aparentemente. Porém, Cass conseguiu trabalhar isso de uma maneira leve – apesar das cenas padrões de “menina em dúvida chorando na cama em seu vestido lindo”. Acho que Crepúsculo já estragou tanto o triângulo amoroso que qualquer um já sai na frente só por não ter nem Edward nem Jacob.

America acaba entrando para o top 5 – A Elite. E acho que não preciso dizer muito sobre o final pois ele é previsível. As reviravoltas que a autora coloca no meio do caminho são interessantes, mas não são o suficiente para minar a suposição que o leitor já cria no começo do que vai acontecer no final. Há questões políticas que ela coloca aqui – de maneira leve, para que leitores mais jovens possam acompanhar. Temos uma parte bem legal (de verdade) de mulheres se unindo apesar de não terem controle sobre seus destinos e tem um desenvolvimento importante da personagem principal. Mas tem também as saídas fáceis para resolver o triângulo amoroso e os problemas da sociedade.

Todos os elementos do gênero jovem estão aqui e são bem trabalhados pela autora. Muitos dizem que a série é uma mistura de Jogos Vorazes com Cinderela. Eu diria que tem muito mais de Cinderela do que de Jogos Vorazes. Não espere cenas de ação incríveis, nem um contexto muito mais político do que parece. A única comparação possível com Jogos Vorazes seria a separação da sociedade em uma estrutura de castas. Fora isso, não restam muitas similaridades.

No geral, é uma leitura rápida e até divertida. Não é o tipo de livro que vai mudar vidas e talvez nem renda um filme muito interessante – os direitos já foram comprados pela Warner, mas ainda não há previsão de estréia. Mas uma boa indicação do quanto o filme não tem como render muito é que um dos produtores será Pouya Shahbazian que produziu também a adaptação do morno Divergente (outro livro comparado com Jogos Vorazes que tenta muito, mas não chega perto).

Não é dos piores do gênero, mas também não é dos melhores. Um bom meio termo para quem precisa sair de uma ressaca literária ou quer ler algo para passar o tempo, mais leve e sem grandes pretensões. Leia com isso em mente.

Postado em: Resenhas
Tags: , ,

Nenhum comentário em “Resenha – Série A Seleção (3 volumes)”


 

Comentar