Resenha – Sonhos Partidos
por Patricia
em 21/03/16

Nota:

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Sonhos Partidos estava na lista dos livros que a Intrínseca disponibilizou para os parceiros em Janeiro. A sinopse me pareceu muito interessante e resolvi que esta seria uma das minhas leituras de Carnaval. Antes de ver o livro na lista da Intrínseca, eu nada sabia sobre o autor ou a obra.

O livro é narrado pelo vizinho de Lindy que, por sua vez, é o centro de toda a história. O enredo é ambientado em  em Baton Rouge, Lousiana, no ano de 1989. Nesse fatídico verão, Lindy, uma menina atlética, bonita e simpática que foi estuprada. O nosso narrador é um dos suspeitos entre outros quatro que, mais tarde, serão liberados deixando o caso sem resolução oficial. Usando esse pano de fundo, o narrador sem nome nos apresenta sua infância na cidade e como tudo mudou depois desse acontecido.

O garoto tem amigos que entram na categoria “má-influência”, faz coisas que garotos fazem quando ainda não sabem julgar muito bem o certo e o errado, até que sua inocência é arrancada dele pelas suas próprias circunstâncias pessoais – pais separados, a morte da irmã e um pai que tenta voltar à sua vida. Ou seja, já aqui o autor não nos entrega nada de novo. Crianças tornando-se adultas através de uma situação inesperada e triste.

A história é tão mais do mesmo que em alguns momento, esperei – com muita vontade – que o narrador fosse o estuprador para ter mais gosto na história…pelo menos isso seria uma surpresa. De tanto falar de sua própria vida e devoção por Lindy, é possível chegar a um ponto em que ninguém mais se importe com quem é o criminoso: só queremos que o narrador cresça e se livre dessa obsessão quase doentia – e totalmente irritante – que ele carrega pela garota.

Talvez a história ganhasse mais peso se alguns capítulos fossem dedicados ao ponto de vista de Lindy –  a mudança que ela passou depois do trauma ganharia muita força se contada pela vítima e não por um garoto que imaginava que sabia o que estava acontecendo. Nesse ponto, o autor estreante escolheu a saída mais fácil ao não se arriscar a dar voz a uma personagem que seria, reconhecidamente, mais difícil de construir. Porém, o resultado também poderia ser muito mais interessante do que temos em mãos nessa obra.

O número de clichês é alto: a casa que recebe crianças órfãs problemáticas, os pais controversos; a mãe solteira trocada por uma mulher mais nova mas que nunca superou o ex-marido; um pai em plena crise de meia idade. É como se o autor tivesse consultado “clichês para o primeiro livro” e seguiu à risca o que encontrou. Não há uma surpresa em toda a obra – até mesmo o criminoso real não é surpreendente e acaba sendo, para variar, a saída mais fácil.

A obsessão do narrador acaba se tornando um peso até mesmo para o leitor. Cada página virada sem ritmo faz com que a leitura seja arrastada e a falta de capacidade do autor de decidir o que queria para seu narrador acabou transformando-o na pior parte do livro.

Estréia difícil de engolir.

***

O livro foi enviado pela Editora.

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