Resenha – Suicídios Exemplares
por Patricia
em 29/09/14

Nota:

vol1

Quando ganhei esta coleção da Folha, fiquei com a sensação de ter encontrado boas indicações de literatura latina – mais especificamente, ibero-americana – um estilo que me agrade demais. Com 25 livros em toda a coleção, me dei como meta (sim, eu tenho toc leve) ler pelo menos 3 livros da coleção por ano. Em 2013, tive incríveis surpresas com o uruguaio Mario Benedetti (A trégua), o brasileiro Raduan Nassar (Um copo de cólera) e o incrível chileno Roberto Bolaño (que foi um dos melhores autores que li no ano com Estrela Distante).

Nesse ano, comecei a saga pela coleção pelo espanhol Enrique Vila-Matas com a obra ‘Suicídios Exemplares’. Pelo título, acho que já é possível imaginar o tema central desse livro: o desejo de se matar.Vila-Matas elenca breves histórias com personagens dos mais diversos tipos que pensam em determinado momento, ou o tempo no caso de alguns, em tirar a própria vida.

Cada história tem poucas páginas, mas é uma viagem por si só. O livro pode servir facilmente de guia de ‘como criar personagens complexos em poucos parágrafos’ dada a excelente capacidade do autor de montar enredos curtos que funcionam sem muitos artifícios literários (ou o famoso mimimi de usar 45 páginas para dizer que tal pessoa é…loira). É quase como uma lista de pessoas que vocês gostaria de conhecer em algum momento da vida.

Tem o palhaço obeso que está no fim da carreira e procura um palhaço magro para ser seu parceiro; tem a dona de casa que não vê sentido da vida e é constantemente ou ignorada ou humilhada pelos maridos e filhos; a jovem que encontrou um câncer no cérebro; uma senhora escrevendo para a amante de seu falecido marido e alguns outros. A narração muda também, algumas histórias são escritas em primeira pessoa, algumas em terceira, às vezes o autor nos conta algo de outra pessoa, outras fala direto com o leitor.

Além das diferenças básicas entre cada pessoa ligada por um assunto em comum, Vila-Matas também usa todo o globo colocando cada personagem em um país diferente. Isso mostra que os temas de vida e morte são muito maiores do que qualquer nacionalidade, cultura e etc já que todo mundo morre de um jeito ou de outro. Apesar do tema central do livro ser um pouco denso e, em alguns momentos pesado, o livro não é inteiramente assim. Há momentos de certa leveza e até de beleza.

O que mais se destacou nesse redemoinho de pessoas, para mim, foi a escrita paciente e bem servida de Vila-Matas. Apesar de usar como base um assunto que poderia causar aborrecimento ou alguma ansiedade no leitor, a forma como ele aborda tudo é de maneira calma, quase como se o suicídio – ou a intenção – não passasse de um pensamento solto que esses personagens têm às vezes. Alguns o levam adiante, outros não.

Bom livro. Realmente bom. Dos quatro da coleção que já li, porém, não achei o melhor. Bolaño segue carregando essa coroa.

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