Resenha – The Seven husbands of Evelyn Hugo
por Patricia
em 29/05/19

Nota:

“Os sete maridos de Evelyn Hugo” (tradução livre) foi publicado nos Estados Unidos em 2017 e entrou na lista de mais vendidos da Amazon com certa rapidez. O livro deverá sair no Brasil no final desse ano pelo selo Paralela da Companhia das Letras (sem data definida).

Li a obra esperando um chick-lit (literatura normalmente escrita por mulheres com foco em histórias como romance, crescimento pessoal e etc). Uso o termo sem nenhum tom negativo: gosto de leituras leves de vez em quando, e nada me prova que se não lermos Dostoiévski todo dia o munda acaba. Tendo dito isso, acredito que o sucesso da obra se dá justamente porque ele vai um pouco além do que esperamos ao abrir o livro.

Evelyn Hugo foi uma estrela de cinema por décadas. Ao lançar sua carreira, nos anos 60, ela se tornou a “bombshell” de seu tempo (pense em Marylin Monroe). Com bons papéis e alguns prêmios reconhecidos, poderia-se dizer que ela encerrou a carreira no topo da indústria. Agora, aos 79 anos, a estrela que se isolou do olhar público quando se aposentou, decide que quer contar sua história e compartilhar com o público algumas das coisas que ninguém nunca soube.

Para isso, ela chama Monique Grant, uma jornalista de 35 anos da revista Vivant – uma revista de certo prestígio na indústria do entretenimento. Hugo diz que dará uma exclusiva para a revista, mas sua condição é que Grant a entreviste. Após resistir um pouco dado seu momento pessoal (ela está passando por um divórcio), Grant entende a importância desse momento para sua carreira e aceita fazer a entrevista.

Aqui, a autora quebra já o processo padrão para contar histórias: ao invés de narrar sua vida por ano, por filme ou por momentos impactantes da carreira, Hugo decide contar sua história por meio de seus sete casamentos. Alguns escandalosos em sua época. Isso é importante porque a autora nos guia por uma caminho que ela irá subverter totalmente mais à frente. Ler as histórias de Hugo são uma viagem no tempo para uma Hollywood clássica e romantizada que, descobrimos, tinha questões muito obscuras fazendo com que as pessoas trocassem autonomia pessoal por notoriedade. A fama cobrava um preço alto e Hugo o pagou em detrimento de muita coisa e pessoas.

O relacionamento duradouro descrito no livro é construído com muito cuidado mostrando a luta, as desavenças e os percalços de se tentar ser diferente quando as regras do que era aceitável podiam construir ou destruir uma carreira muito mais do que hoje.

Uma leitura cheia de momentos fortes e momentos sensíveis. É dinâmica, flui muito bem e os twists que temos na história rendem um tom certo de suspense para manter o leitor preso às páginas.

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