Resenha – Tom na fazenda
por Juliana Costa Cunha
em 23/04/18

Nota:

Tom na Fazenda é uma peça de teatro escrita pelo Canadense Michel Marc Bouchard. No Brasil, teve seus direitos autorais comprados pelo ator pernambucano Armando Babaioff, que também foi o responsável pela tradução do texto. A peça entrou em cartaz em 2017 no Rio de Janeiro, e desde então, vem arrancando elogios de crítica e público.

Este livro me deu a oportunidade de ler um texto de teatro depois de muito tempo. É super visceral e real. E me deixou louca de vontade de assistir à peça. Que, diga-se de passagem, para além de todos os elogios, vem se mantendo sem patrocínio. Será por conta do tema?!

A história de Tom na Fazenda se passa quando Tom, publicitário que vive na cidade grande, onde está bem ambientado com esta vivência estética, decide viajar para a área rural na qual a família de seu falecido namorado possui uma fazenda (e vive de acordo com os preceitos rurais) para o funeral. Chegando à fazenda Tom descobre que sua relação homossexual com o falecido nunca foi do conhecimento da família (ou de pelo menos de toda família), cujo núcleo é formado pela mãe e seus dois filhos.

A partir daí a história se desenrola numa rede de mentiras e segredos , nem tão segredos assim. Francis (irmão do falecido) sabe de tudo. Desde o dia em que um menino de sua cidade se aproximou dele para lhe contar sobre a sexualidade de seu irmão. Este personagem é brutalmente agredido por Francis, que passa a ser temido por toda a cidade. Ele cuida da fazenda e é um homem rude e preconceituoso, que ao longo da narrativa vai se mostrando aos poucos e fazendo o possível para manter toda a mentira para a mãe sobre a sexualidade de seu irmão.

A matriarca da história é aquela mãe zelosa, que está sofrendo pela morte do filho. Mas que com a chegada de Tom vai desconfiando de tudo e vasculhando as informações, observando o comportamento de Francis e o de Tom; ouvindo suas conversas e que, ao longo do texto, vai deixando de ser aquela mulher manipulada pelo filho e suas verdades.

Em meio a todas estas questões Tom se vê representando um papel que não deseja e no qual acaba completamente envolvido. É um jogo de mentiras, pressão psicológica, ameaças, violência física e verbal e a até mesmo umas nuances que colocam em questão a própria sexualidade do personagem Francis. Diante de tais fatos Tom não consegue romper com o silêncio que lhe é imposto, seguindo por um caminho de perturbação psicológica, criando uma atração por Francis da qual não consegue se desvencilhar (me fez lembrar a Síndrome de Estocolmo), até chegarmos ao desfecho trágico.

É um texto potente sobre amor, verdades, mentiras, sexualidade e a negação dela, sobre pertencimento, sobre o que queremos saber ou não, sobre erros cometidos e isolamento. Sobre tragédias. Sobre a dor e a delícia de sermos quem somos.

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O livro foi enviado pela editora.

 

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