Resenha – Tudo que nunca contei
por Patricia
em 12/03/18

Nota:

Tudo o que nunca contei entrou no meu “radar” em 2014, quando foi mencionado em várias listas de melhores do ano da Amazon causando certo burburinho mercado editorial provando que o marketing é um dos super-poderes da mega empresa. Definitivamente, para a estreante Celeste Ng significou um grande passo em sua carreira.

 

“Lydia está morta. Mas eles não sabem disso ainda.”

É assim que o livro começa prendendo o leitor desde o primeiro parágrafo. Ambientado na década de 70, o livro nos apresenta à família Lee. O pai, James, é filho de imigrantes chineses que mudaram-se para os Estados Unidos ilegalmente para buscar uma vida melhor. Por ser um garoto muito inteligente, James conseguiu uma vaga na escola particular de primeira linha na qual seus pais trabalhavam. Ele era o único chinês na escola e o único proveniente de uma família de baixa renda. Ele cresceu com a consciência e a noção constante de que era diferente, sem nunca sentir que havia um lugar que o aceitaria completamente.

De tanto se preocupar com a questão de “se encaixar”, o tema de estudo de James não poderia ser mais americano: caubóis. Enquanto dá sua primeira aula ao se tornar professor, ele conhece Marilyn: uma aluna brilhante que sonha em ser médica e despreza o estilo “dona de casa” com que sua mãe a criou. Eles engatam um romance que resulta no que ambos menos esperavam: uma gravidez.

Marilyn largou o curso e casou-se com James. Aos poucos, ela percebe que virou exatamente o que mais queria evitar: a mãe. A mãe de Marilyn, aliás, não aprovava o casamento da filha com James por ele ser chinês. O primeiro filho, Nathan, veio para mudar a vida do casal. Logo depois veio Lydia que se tornou a “menina de ouro” da casa. Uma chinesa de olhos azuis herdados da mãe, Lydia se destacava por vários motivos.

É difícil resumir o nível de trauma que está embebido nessa família desde o começo. O desespero do pai para se encaixar se torna uma obsessão em garantir que seus filhos tenham amigos e sejam “aceitos”. A mãe, por sua vez, nota que Lydia é inteligente e deseja que ela se torne uma médica e estimula a menina a estudar todas as matérias necessárias para alcançar esse “sonho”. Todos esses traumas passados dos pais é passado para o filhos, principalmente para Lydia, na forma de uma pressão constante para que ela se torne tudo o que os pais não conseguiram ser.

A história em Tudo o que nunca contei é muito maior do que a morte de Lydia. Na verdade, a morte dela é um estopim para que a família encare de frente todos esses traumas e a responsabilidade do que causaram uns aos outros, mesmo que inadvertidamente.

Não é uma história das mais originais e é fácil de concluir algumas coisas já no meio do livro. Leitores de suspenses que podem esperar mais reviravoltas, não encontrarão quase nenhuma aqui. O que salva a leitura e mantém o leitor interessado é a escrita de Ng, essa sim, a grande revelação da obra. Tudo o que nunca contei, que demorou seis anos para ser finalizado, é um estréia sólida e muito promissora. Em 2017, a autora lançou Little fires everywhere que recebeu críticas mistas.

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