Resenha – Uma mulher no escuro
por Ragner
em 11/09/19

Nota:

Raphael Montes já é um dos meus autores favoritos. É um escritor que consegue me prender em suas histórias da mesma maneira que Harlan Coben (gênero policial) e que escreve com uma pitada de Stephen King (gênero terror). Montes já é consagrado dentro do thriller nacional e seu último lançamento corrobora ainda mais para o lugar de destaque que o eleva na literatura nacional.

Em Uma mulher no escuro, temos a primeira protagonista mulher dentro das histórias já contadas por Montes. E isso se torna relevante pelo simples fato do escritor gostar de escrever sobre pessoas diferentes dele e como ainda não tinha trabalhado com esse protagonismo, sentiu que já era hora (o autor possui 4 livros e um em conjunto com Ilana Casoy escrito com o pseudônimo de Andrea Killmore).

No enredo temos Victoria Bravo que teve a família assassinada aos 4 anos. Ela foi a única sobrevivente da chacina que mutilou seus pais e irmão à facadas e o homicida ainda pichou seus rostos com tinta preta. Após 20 anos, a protagonista convive com sequelas e cicatrizes (por pouco não morreu junto de sua família) que a transformaram em uma pessoa antissocial, tendo contato somente com sua tia (que a criou), com seu psiquiatra, um amigo (que conheceu pela internet) e com um cliente da cafeteria onde trabalha (com quem começa um relacionamento).

Um dia Victoria chega em seu apartamento e se depara com a porta arrombada. Ela entra, observa que tudo está em ordem e vai até ao quarto. Na parede estava pichado em tinta preta:

VAMOS BRINCAR?

Sobre a cama seu ursinho de pelúcia – Abu -, o mesmo que tinha desde a época da chacina, também estava coberto de tinta preta. Da mesma maneira que sua família, e ela mesma. Seus fantasmas voltaram para assombrá-la. O responsável pela morte de sua família estava de volta.

Para deixar tudo ainda mais tenso e perigoso, o autor deixa claro (logo na página seguinte) que o responsável pela invasão é alguém próximo à nossa heroína. E digo heroína pois Victoria, antes apresentada apenas como uma protagonista reclusa, solitária e traumatizada, é forçada a enfrentar seus medos e encarar uma jornada que pode acabar com sua vida.

Raphael Montes é reconhecido por construir narrativas extremamente bem amarradas, que nos direciona por caminhos que parecem fluir para um lado e nos mostra algo bem diferente no final. Tudo cheio de reviravoltas muito bem desenvolvidas. Esse vai e vem é formidável. Em Uma mulher no escuro tudo isso ainda é melhor e aqui nos faz questionar muito em quem podemos confiar…e desconfiar.

***

livro enviado pela editora

Postado em: Resenhas
Tags: , ,

Nenhum comentário em “Resenha – Uma mulher no escuro”


 

Comentar