Resenha – Uma vida no escuro
por Bruno Lisboa
em 17/05/16

Nota:

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Imagine ter a sua vida confinada devido a uma deficiência que impede que você tenha qualquer contato com a luz. Imagine não poder mais desfrutar de seu atribulado quotidiano. Imagine passar todos os seus dias em casa, tendo como companhia à escuridão. Este poderia ser o enredo inicial de um bom thriller ou filme de terror, mas esta é em síntese a vida real da britânica Anna Lyndsey (pseudônimo adotado pela autora que preferiu o anonimato) retratada em Uma vida no escuro.

Dividida em dois tomos não cronológicos (de maneira intencional), a texto traz a tona momentos distintos da vida autora. Num primeiro, e angustiante, momento visualizamos Lyndsey definhar aos poucos a partir do momento em que descobre que sofre de uma doença rara e sem cura imediata: a dermatite seborreica fotossensível, patologia que faz com que sua pele fique em ardência por dias caso tenha qualquer contato com a luz.

Sua vida, antes feliz, (dedicada ao seu trabalho no funcionalismo público Inglês, a viagens, música e eventos culturais) é drasticamente mudada. Para poder se adaptar a nova realidade Anna muda de Londres para a pequena cidade de Itchingford, onde reside Pete (seu namorado e futuro marido), trocando assim a movimentação de uma grande cidade pelo confinamento de um lar interiorano.

Para tentar preencher as lacunas desta nova fase (marcada pelo abandono de grandes amigos, de raras visitas dos familiares e pela busca por informações sobre a doença) a autora torna-se uma entusiasta literária e tem nos áudio-livros (de qualquer gênero, mas com predileção às narrativas policiais) e no que ela chama de “jogos para o escuro” (no qual brinca com palavras) as companhias ideais para sobreviver aos dias dominados pela penumbra, sonhos temerários  e o desespero.

Já em sua segunda parte Lyndsey revela as sensíveis melhoras quanto ao seu estado crítico, a medida em que descobre medicamentos que ajudam a atenuar o seu sofrimento, que até hoje segue sem melhoria plena. Nesta fase “ensolarada” da obra, a autora consegue se dedicar a atividades noturnas como a caminhada, a jardinagem, a lecionar piano e até mesmo pequenas viagens, que fazem com que seus dias cinzentos comecem a ganhar cores pálidas.

Sem se render a auto-ajuda ou ao pieguismo, Uma vida no escuro é um texto honesto, muito bem escrito e tocante sobre como as vezes a vida nos prega peças injustificáveis, mas que mesmo ante as dificuldades circunstâncias o que nos resta é somente seguir em frente.

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O livro foi enviado pela editora.

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