Resenha – Vampiros Em Dallas
por Ragner
em 31/08/16

Nota:

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True Blood foi uma das séries mais interessantes e fantásticas que já assisti (deixando de lado as duas últimas temporadas). Era amante da história que retratava os vampiros como seres profundamente sedentos , cínicos e depravados e também do enredo pesado que contextualizava um modo de vida aparentemente aceitável pela humanidade, mas que trabalhava demais questões de cunho moral, sexual, racial e cultural. A premissa de um futuro próximo, onde mortos-vivos saem das sombras para conviverem com os vivos, com suas leis, deveres e direitos, logo após a produção de um sangue sintético que possibilitava uma coexistência “pacífica”, me agradou muito. Ainda mais por deixar claro o quanto os vampiros poderiam ter sua “honra” recuperada depois do famigerado retrato que as novas gerações assistiram em Crepúsculo.

É compreensivo que haja diferenças entre o enredo de livros e as histórias retratadas em séries/filmes (adaptações sofrem isso desde sempre) e aqui não é diferente. Vampiros Em Dallas é o 2º livro da série “As Crônicas de Sookie Stackhouse” (ainda quero ler os demais) e no início da leitura já é perceptível algumas mudanças, sejam de personagens ou rumo da história mesmo. Mas a essência está ali.

Posso dizer que foi um exercício interessantíssimo e agradável relembrar alguns acontecimentos e tentar perceber o que passava ou não na telinha. Tirando o óbvio, algumas alterações não eram tão evidentes, já que consistiam em diferenças físicas de alguns personagens ou mesmo acontecimentos que não eram tão relevantes, mas gostei muito de ler. Desde as primeiras páginas fiquei entusiasmado com a narrativa da Sookie e isso me fez recordar o quanto gostava de True Blood.

Em Vampiros Em Dallas, Sookie vive tranquilamente seu romance com Bill (vampiro transformado desde a Guerra Civil) e trabalha normalmente no Merlotte’s (bar/restaurante mais conhecido e frequentado da cidade), mas em uma noite descobre que seu amigo Lafayette foi morto (não é spoiller pois tal fato é revelado na sexta página, lembrando que livro e série se diferenciam em certas partes, então Lafayette permanece vivo na telinha, mas já morreu nos livros) e na outra é atacada por uma Mênade – Bacante: adoradoras selvagens do deus Baco – (O ataque se resume a um recado para Eric, o Xerife da área 5 e um legítimo exemplar de viking). O que parecia estar na mais perfeita ordem, vai sendo perturbado por acontecimentos estranhos e a vida de Sookie volta a ser incomodada por seres ocultos e lendários. A pacata e sobrenatural garçonete (pra quem sabe ou não sabe, Sookie é telepata e uma fada) de Bon Temps decide descobrir quem assassinou seu amigo e precisa proteger os seus da Mênade que pretende levar todos os habitantes à loucura.

A ideia central da 2ª temporada se mantêm e tudo gira em torno da loucura luxuriosa provocada pela Bacante, que se alimenta da insanidade humana. O Título faz menção aos vampiros que vivem em outra área, em Dallas, e que cobram um favor especial a Eric. Sookie possui poderes que interessam à comunidade vampírica e eles começam a utilizar tais poderes de acordo com suas necessidades. Como Bill responde à Eric e Sookie fez uma promessa ao antigo viking (no livro anterior), seus dotes serão emprestados para os vampiros de Dallas, que precisam descobrir o paradeiro de um vampiro importante da região. As descobertas de Sookie levam seus novos amigos até a Sociedade do Sol. Uma seita radical anti-vampírica (que também conhecemos no seriado) que pretende, através da religião, exterminar todos os mortos-vivos.

Harris sabe muito bem contar uma história e toda a mitologia criada para narrar as desventuras de Sookie é um prato cheio para quem gosta de livros de vampiros e criaturas do tipo. Gostei de como ela cria uma composição social para o convívio com os vampiros, a introdução a cada história de outros seres e a atmosfera que envolve radicais religiosos com depravação sexual (se bem que nos livros todas as “cenas” de sexo são bem menos picantes) e preconceitos culturais. A autora consegue entrelaçar tudo muito bem e deixar a história bem envolvente e deveras interessante.

P.s.: Há outras resenhas de livros sobre vampiros em nosso Poderoso. Máscara De Sangue, Os Sete, o quadrinho de Drácula e o filme Abraham Lincon: O Caçador De Vampiros. Digo que se depender de mim, tal literatura irá crescer por aqui.

Aguardem.

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