Resenha – Vilão
por Patricia
em 05/02/20

Nota:

Resenha pode contar spoilers. Controle-se.

Eli Cardale e Victor Vale estudam juntos na Universidade de Lockwood. Ambos são inteligentes, respectivamente o 1º e o 2º lugar da Universidade, e pretendem ser médicos logo. No último, enquanto analisam o que estudar para o TCC, Eli elabora uma ideia que vai mudar tudo. Muito se falava sobre as pessoas EOs, ou ExtraOrdinárias, que diziam ter poderes dos mais variados tipos. Porém, tudo parecia ser mais uma daquelas lendas urbanas já que não se tinha histórico de um EO que existisse de verdade. Mesmo assim, Eli decidiu que queria estudar como, se essas pessoas existissem, elas haviam surgido; como funcionavam seus corpos; a química e a biologia por trás desses seres.

Eli descobre o que poderia resumir o surgimento de EOs: experiências de quase morte. Mais especificamente, experiências em que as pessoas morrem, mas retornam. Victor, então, preocupado em ser visto como um “assistente de Eli” dá a ideia: se eles sabem a receita, por que não tentar?

Assim, ambos tentarão se matar com a ajuda do outro que deverá reavivá-lo para ver o que acontece. Bom, depois de certos problemas, os experimentos funcionam. Eli descobre que seu corpo se regenera. Victor descobre que ele pode controlar a dor aumentando ou diminuindo sua intensidade à seu bel prazer. Porém, no processo, uma pessoa morre e coloca Eli e Victor em um combate direto e eles se tornam inimigos. Victor leva a culpa pela morte da pessoa e acaba 10 anos preso. Ele sai da prisão pronto para exercer sua vingança. 

**

A escrita de V.E Schwab é boa e engaja o leitor. A ficção científica que ela cria aqui não é excepcional do ponto de vista de criatividade (muito já foi feito antes de forma similar), mas ela usa bem esses elementos no mundo jovem que criou. Há um componente interessante de ciência aqui que é importante ressaltar. Tanto Eli quanto Victor são estudantes de medicina e parecem realmente respeitar a ciência. Tanto que é por meio dela que descobrem seus…”talentos”. É uma mensagem relevante em um livro destinado a jovens em um mundo de terra-planistas e negadores da crise climática.

Há ainda um conceito de religião. Eli é filho de pastor e acredita entender o que Deus quer para ele. Quando ele se torna um EOs, começa a questionar os poderes dos outros, principalmente porque seu próprio poder é voltado para ele mesmo (regeneração) enquanto o de Victor pode afetar outras pessoas (infligindo dor). Ele decide, então, que os outros EOs são errados e que é seu papel acabar com eles. Isso muda a narrativa da história em certo ponto. Victor quer se vingar de Eli, mas Eli quer se vingar de todos os EOs. O problema é que Eli está trabalhando com a polícia e manipula situações até ser tratado como um herói.

Schwab trabalha muito bem a questão de que heróis e vilões são dois lados da mesma moeda e depende muito do ponto de vista de quem analisa a situação. Mas a autora também não consegue se desprender totalmente do mundo YA e seus clichês. Em 3 páginas, uma garota do cabelo azul cobalto prende o “cabelo atrás da orelha” duas vezes. Angie, a namorada de Eli, era namorada de Victor e Eli a “roubou”. Serena, uma EO super poderosa que pode controlar mentes, faz “biquinho” quando fica chateada. E, claro, Vilão é o primeiro de uma trilogia que, suspeita-se, terá também uma prévia (Vilão 0.5).

Porém, isso não tira o mérito total de uma leitura divertida, rápida e fácil. Para quem busca aquela leitura para limpar a cabeça e animar uma tarde de domingo, é uma boa pedida.

Postado em: Resenhas
Tags: , ,

Nenhum comentário em “Resenha – Vilão”


 

Comentar