Resenha – Will & Will – Um nome, um destino
por Patricia
em 10/02/14

Nota:

images

Já falei de dois livros de John Green aqui no Poderoso (Quem é você, Alaska? e A culpa é das estrelas). Green é hoje um dos grandes autores de YA (Young Adult) no mundo. Seus livros vendem bem, falam de coisas importantes para os jovens e às vezes dão um passo a mais no drama. É inegável que ele sabe escrever e conduzir uma história.

Em Will & Will – Um nome, um destino ele se junta com outro autor reconhecido do mundo jovem, David Levithan, para escrever um livro com uma temática igual mas diferente: jovens envolvidos em sua adolescência complicada, amores, longas noites nas páginas de bate-papo (que nem sei se ainda existem) e, para mudar um pouco a fórmula, temos personagens gays.

Will Grayson é um jovem em Chicago com seu melhor amigo Tiny e sua amiga Jane. Tiny é gay assumido e não tem medo de viver todos os seus namoros até o último minuto. Ele serve como escape cômico em vários momentos. Não muito longe dali temos a história de outro Will Grayson (A origem?) que mora sozinho com a mãe, é depressivo e descobre que sua amiga Maura pregou-lhe uma peça das grandes fingindo-se passar por um provável namorado online e isso o deixa completamente arrasado.

Os dois Wills vão se encontrar e Will depressivo vai conseguir ver as coisas boas da vida e assumir de vez sua condição de homossexual sem medo.

É uma história sobre crescimento e amadurecimento envolvendo um tema que poderia ser espinhoso se não cuidado da maneira correta. Mas Green e Levithan tratam os relacionamentos e os personagens homossexuais como, pasmem, se fossem normais! Gostei muito disso (para esclarecer caso o sarcasmo não tenha ficado tão claro).

Cada autor toma um Will Grayson para si e o constrói como acha melhor e os capítulos são alternados entre a visão de um Will e do outro. E funciona. Aliás, podemos dizer que esse é um livro quase futurista: ele retrata a adolescência de jovens gays como se eles fossem totalmente aceitos pelos seus colegas de escola e pais de amigos. Ou seja, um livro que ainda não retrata, infelizmente, a sociedade real. Mas já é um passo. E espero que muito em breve seja a norma e não a exceção.

O livro é divertido e, nos capítulos de John Green, tem tudo o que se pode esperar de um livro do autor. É possível encontrar os macetes que o autor cria com certa facilidade. O maior deles, para mim, é que os jovens que ele descreve são inteligentes acima da média (a ponto de citar E.E Cummings!!) e isso é divertido de ler apesar de soar repetitivo depois de 2 livros do autor.

Pessoalmente, acho que a estrela do show é David Levithan. Isso pode ser, claro, por não ter lido nada do autor antes e não conhecer muitos dos seus próprios macetes. Mas mesmo assim, o Will que ele criou me parece ter mais profundidade em vários sentidos. Aliás, Levithan – pelo pouco que pesquisei – parece ter uma meta interessante de criar personagens reais mas que não costumam ter suas histórias contadas. Um de seus livros chama Boys meets boy (Garoto conhece garoto) que conta a história de um relacionamento gay. Quer dizer, ele veio para dar uma apimentada no mundo da literatura jovem. (Um grande S2!)

Will & Will é um livro feito para uma leitura rápida – 350 páginas que dá para ler em uma tarde. Tem passagens realmente engraçadas e boas sacadas com a cultura jovem de hoje. Bem escrito, bem organizado e me serviu como um aperitivo para David Levithan. Acho que valeu muito a leitura.

Postado em: Resenhas
Tags: , , ,

Nenhum comentário em “Resenha – Will & Will – Um nome, um destino”


 

Comentar