Revisitando – Outliers: Fora de Série
por Patricia
em 15/01/20

Nota:

Outliers – Fora de série de Malcolm Gladwell já foi resenhado por aqui em 2012 e ouço apenas coisas boa sobre o livro então finalmente decidi ler essa obra.

Meritocracia é uma daquelas palavras que não desaparece do cotidiano do brasileiro, principalmente. Ela aparece desde de discursos políticos, até a defesa ou ataque a cotas e outras questões sociais, passando por herdeiros que acreditam que meritocracia nada mais é do que seu lugar de direito. Como sociedade, nosso relacionamento com o sucesso é estranho, para dizer o mínimo.

O que Gladwell nos apresenta em seu aclamado “Fora de Série” é que o discurso de “fiz sozinho” não é real. Somos todos resultados de nossas circunstâncias e às vezes até o ano em que nascemos pode impactar o nível de sucesso que alcançamos. Segundo o autor, essas pessoas “são produto de sua história e de sua comunidade, das oportunidades que tiveram e da herança recebida”. Partindo da história de pessoas de sucesso em diversas áreas, ele começa a pesquisar o que elas teriam em comum e os achados são realmente impressionantes. O sucesso, parece, é feito de um acumulado de vantagens culturais, situacionais e aleatórias além, claro, de talento para aproveitá-las. Mas ele também busca entender questões que vão além do sucesso. Por exemplo, haveria alguma co-relação entre a nacionalidade dos pilotos e o número de desastres de avião nas décadas de 80 e 90? Ou uma ligação entre os arrozais chineses e os motivos que fazem dos asiáticos tão bons em matemática? A resposta é sim para ambas as perguntas. 

Nem mesmo sua família escapou de uma análise mais profunda. Gladwell analisa a árvore genealógica de sua mãe e como o fato de ser mulata de pele clara, a culpa britânica pela colonização da Jamaica e um boa dose de sorte ajudaram-na a conseguir oportunidades de estudos invejáveis na época.

Vale ler o livro para entender as minúcias dos exemplos que ele cita e explica tão bem. Ele traz questões científicas que poderiam soar muito complexas, mas o sucesso do autor é justamente apresentar seus achados de maneira muito simples e objetiva. A acessibilidade de seus livros tem dois pontos: o positivo é que seus livros vendem milhões de cópias no mundo todo. O negativo é que ele já recebeu críticas de “diluir” a ciência (até mesmo o pai dele que é matemático o critica por isso), mas Gladwell segue firme em seu estilo. A acessibilidade é uma grande triunfo de “Fora de série”justamente por não deixar nada subentendido.

***

No Brasil, em poucos anos, coachs de carreira surgiram debaixo de cada pedra prontos para nos dar “dicas” e compartilhar seu conhecimento sobre como conseguir a carreira dos sonhos ou se tornar milionárix antes dos 30 ou como empreender e ganhar é só começar. Tudo na internet soa como um sonho há apenas alguns passos de quem realmente deseja. Afinal, para ter sucesso, é preciso só ter o mindset certo e investir sua energia e potencial para dar match e, quem sabe?, criar um unicórnio sem cumprir horário, cumprindo metas. Enquanto eles dormem, você fomenta seu espírito empreendedor, celebra a derrota mas segue com foco total no futuro falhando apenas para cima.

Em 2019, o 2º livro mais vendido no Brasil na Amazon foi “Na Raça: Como Guilherme Benchimol Criou a XP e Iniciou a Maior Revolução Do Mercado Financeiro Brasileiro”; na Estante Virtual, o 3º mais vendido foi “Mindset – a Nova Psicologia do sucesso” e na lista também estão “Me poupe” de Nathalia Acuri e “Seja foda!” de Caio Carneiro. Houve um aumento de 40% na venda de livros sobre empreendedorismo e negócio no Brasil apenas no ano passado (claro, parte disso também tem a ver com o aumento do desemprego no país). Parece que cada vez mais as pessoas querem saber como os que tiverem sucesso conseguiram essa “proeza”. 

Depois de tudo, muitos ainda dirão que foi sorte. E, em parte, eles terão razão.

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