Semana de cinema – O Poderoso no Oscar 2018 (2ª parte)
por Bruno Lisboa
em 28/02/18

A cerimônia do Oscar acontece nesse Domingo – 04 de Março e aqui no Poderoso continuamos com nosso especial do Oscar. Você pode acessar a primeira parte aqui para saber o que falamos sobre outros concorrentes.

 

Sinopse: Década de 60. Em meio aos grandes conflitos políticos e transformações sociais dos Estados Unidos da Guerra Fria, a muda Elisa (Sally Hawkins), zeladora em um laboratório experimental secreto do governo, se afeiçoa a uma criatura fantástica mantida presa e maltratada no local. Para executar um arriscado e apaixonado resgate ela recorre ao melhor amigo Giles (Richard Jenkins) e à colega de turno Zelda (Octavia Spencer). Fonte: Adoro Cinema

Avaliação (Nota: 4,5/5): Guilhermo Del Toro é um mestre quando se pensa no gênero fantasia. O labirinto do Fauno e a adaptação do quadrinho Hellboy são bons exemplos. Mas é com A forma da água que o diretor mexicano atinge o ápice do seu universo criativo. Com belíssima fotografia (que em muito lembra O fabuloso destino de Amélie Poulain), Del Toro dirige com precisão e retira da tríade Hawkins, Jenkins e Spencer atuações acima da média. Ao final o longa é um conto de fadas moderno que comove pela ternura e pelo engajamento direcionado a diversidade, ao respeito e ao amor acima de tudo.

E aí? Vai ganhar algum Oscar: O filme concorre em treze categorias. Se não tivesse um concorrente tão forte como Três anúncios de um crime o filme levaria mais estatuetas para casa, mas acredito que A forma da água levará o Oscars nas categorias direção e fotografia. 

 

 

Sinopse: Inconformada com a ineficácia da polícia em encontrar o culpado pelo brutal assassinato de sua filha, Mildred Hayes (Frances McDormand) decide chamar atenção para o caso não solucionado alugando três outdoors em uma estrada raramente usada. A inesperada atitude repercute em toda a cidade e suas consequências afetam várias pessoas, especialmente a própria Mildred e o Delegado Willoughby (Woody Harrelson), responsável pela investigação. Fonte: Adoro Cinema.

Avaliação (Nota: 4,5/5): Dirigido por Martin McDonagh (Os sete psicopatas, Na mira do chefeTrês anúncios para um crime é um ótimo retrato da periculosidade do que é fazer justiça com as próprias mãos, num mundo onde impunidade é gritante. Na ala das atuações McDormand, Harrelson e Sam Rockwell (que vive um policial racista) entregam performances se destacam neste filme brilhante. O roteiro é enxuto, preciso, mas consegue dizer muito sobre os nossos tempos onde a violência impera.

E aí? Vai ganhar algum Oscar? Três anúncios para um crime concorre em 7 categorias e deve faturar os principais prêmios da noite: filme, roteiro original, atriz e ator coadjuvante para Rockwell.

 

 

Sinopse: Década de 1950. Reynolds Woodcock (Daniel Day-Lewis) é um renomado e confiante estilista que trabalha ao lado da irmã, Cyril (Lesley Manville), para vestir grandes nomes da realeza e da elite britânica. Sua inspiração surge através das mulheres que, constantemente, entram e saem de sua vida. Mas tudo muda quando ele conhece a forte e inteligente Alma (Vicky Krieps), que vira sua musa e amante. Fonte: Adoro Cinema

Avaliação (Nota 5 / 5): Dirigido com a classe habitual de Paul Thomas Anderson (Magnólia, O mestre, Sangue NegroTrama Fantasma funciona perfeitamente como uma homenagem ao fazer artístico, ao seguir os próprios instintos e convicções num mundo cada vez mais caótico e perdido. Daniel Day-Lewis mais uma vez brilha com uma atuação pontual, dicotômica, oscilando entre o silêncio e a explosão. Por sua vez, Vicky Krieps entrega a sua Alma (vale o duplo sentido) a uma personagem feminina forte, pulsante que de uns tempos para cá tem se tornado cada vez mais presente em produções hollywoodianas.  Lesley Manville não fica atrás e faz de sua Cyril a força motriz para que Daniel Day-Lewis brilhe. Tudo isso embalado pela trilha sonora marcante de Jonny Greewood (Radiohead).

E aí? Vai ganhar algum Oscar? Apesar da ausência, sentida, de Vicky Krieps na categoria melhor atriz Trama Fantasma concorre em seis categorias. Deveria levar melhor filme e ator para casa, mas, possivelmente levará melhor trilha.

 

 

Sinopse: O sensível e único filho da família americana com ascendência italiana e francesa Perlman, Elio (Timothée Chalamet), está enfrentando outro verão preguiçoso na casa de seus pais na bela e lânguida paisagem italiana. Mas tudo muda quando Oliver (Armie Hammer), um acadêmico que veio ajudar a pesquisa de seu pai, chega. Fonte: Adoro Cinema

Avaliação (Nota 3 / 5): Dirigido por Lucas Guadagnino (Melissa P., Eu sou o amor) em Me chame pelo seu nome o diretor acerta pela belíssima fotografia, esbanjar sensualidade de maneira adequada  e por retirar dos seus protagonistas (Chalamet e Hammer) atuações convincentes. A grande derrapada é o roteiro (adaptação do livro de mesmo nome) que não consegue trata  com maturidade a temática do amor entre um jovem menor de idade e um adulto. Sem contar que a previsibilidade domina todo o longa.

E aí? Vai ganhar algum Oscar? Me chame pelo seu nome concorre a quatro estatuetas (ator, filme, roteiro adaptado e canção original) e deve passar em branco devido a larga concorrência deste ano.  “Mistery of love”, bela canção de Sufjan Stevens, pode até pintar como azarão da noite, mas na mesma categoria ela tem concorrentes fortes como “Remember me” de Viva – A vida é uma festa  e “Mighty river” de Mudbound.  

 

 

Sinopse: Kat Graham (Meryl Streep) é a dona do The Washington Post, um jornal local que está prestes a lançar suas ações na Bolsa de Valores de forma a se capitalizar e, consequentemente, ganhar fôlego financeiro. Ben Bradlee (Tom Hanks) é o editor-chefe do jornal, ávido por alguma grande notícia que possa fazer com que o jornal suba de patamar no sempre acirrado mercado jornalístico. Quando o New York Times inicia uma série de matérias denunciando que vários governos norte-americanos mentiram acerca da atuação do país na Guerra do Vietnã, com base em documentos sigilosos do Pentágono, o presidente Richard Nixon decide processar o jornal com base na Lei de Espionagem, de forma que nada mais seja divulgado. A proibição é concedida por um juiz, o que faz com que os documentos cheguem às mãos de Bradlee e sua equipe, que precisa agora convencer Kat e os demais responsáveis pelo The Post sobre a importância da publicação de forma a defender a liberdade de imprensa. (Fonte: Adoro Cinema)

Avaliação (Nota 4 / 5): Basicamente todo ano entre os indicados a melhor filme figura algum longa cuja temática seja relacionada ao universo do jornalismo. E este ano não foi diferente via The post – A guerra secreta. Por mais que a temática soe aparentemente datada (a liberdade de imprensa), este novo trabalho de Steven Spielberg  surpreende pela mensagem deixada em prol do jornalismo que milita em busca da verdade. Hanks e Streep brilham em seus papéis, prestando uma bela homenagem a estes heróis da vida real. Filme importantíssimo para o contexto atual onde a imprensa norte-americana sofre forte boicote imposto pela era Trump.

E aí? Vai ganhar algum Oscar? The post – A guerra secreta concorre em duas categorias (filme e melhor atriz), mas deve passar em branco devido a forte de concorrência deste ano.

 

 

Postado em: Resenhas

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