Mangá – Death Note
por Patricia
em 16/08/17

Nota:

No dia 25 de Agosto desse ano, a Netflix anunciou que lançará o filme Death Note – adaptação live action (com atores reais) do mangá de mesmo nome. O mangá já foi adaptado para anime (também disponível na Netflix) em 2006, depois de ser publicado em edições semanais da revista japonesa Weekly Shōnen Jump durante 3 anos. No total são 108 capítulos que viraram 12 volumes (a Black Edition que aparece na imagem acima combina dois volumes em cada livro). Apenas no Japão, foram 20 milhões de cópias vendidas.

Fãs do mangá já reclamaram da controversa escolha de atores da Netflix (parece que quase nenhum dos atores principais é japonês) e há pedidos para boicotar a adaptação. Sabendo que o filme sairia, decidi que era hora de ler esse mangá, ver o anime e entender o que estava causando tanto furor.

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A historia de Death Note gira em torno de Light Yagami – um adolescente extremamente inteligente e entediado com a vida de estudos intensos. Seus pais acreditam que ele estuda com tanto afinco por seu desejo de se juntar a seu pai na polícia japonesa – no passado, Light já demonstrou sua aptidão para o trabalho de detetive ao ajudar o pai a decifrar casos de polícia com seu impressionante poder de dedução.

Em um dia comum, Light encontra um caderno com o título Death Note na capa e nada mais. Receoso, ele leva o caderno para casa. Lá, Ryuk se apresenta. Ryuk, o dono original do caderno, é um Shinigami – um Deus da Morte que estava entediado também com sua vida de escrever nomes no caderno e agendar a morte das pessoas. Ryuk decidiu se divertir um pouco e deixou que um humano descobrisse o caderno só para ver o que aconteceria.

O Death Note tem diversas regras específicas, mas a principal é que qualquer pessoa cujo nome seja escrito no caderno, morrerá. O dono do caderno é o único a ver o Shinigami e pode, também, controlar como a pessoa morre. Via de regra, caso nenhuma outra causa seja estipulada, a pessoa morre de infarto fulminante.

Light decide que essa é sua chance de transformar esse mundo caótico em que vivemos em um mundo sem crime, feito de pessoas que respeitam as leis e a ordem. Ele começa a anotar o nome de criminosos conhecidos e a população se assusta quando esses criminosos começam simplesmente a morrer em várias partes do país. Não demora para que apareçam seguidores que o chamam de Kira – o Deus que pune todos aqueles que cometem crimes. Kira é uma adaptação da palavra killer – assassino – em inglês. O fato de um Deus Assassino ser idolatrado é outra questão importante sobre como a sociedade se porta frente à morte dos que ela julga “indesejáveis”.

 

 

A polícia, claro, tem outra opinião. Um poder como esse, mesmo que usado para punir homens que serão punidos pelo sistema, não pode ser usado dessa forma. Afinal, a lei diz que todos têm o direito de cumprir suas penas e se readaptarem à sociedade. A sentença de morte aleatória que Kira toma como regra, pune com a mesma força qualquer tipo de crime – de roubo a estupro. A polícia, então, se alinha a L – um renomado detetive que promete caçar Kira dando início a uma verdadeira guerra de intelectos.

O leitor, onipresente, acompanha a organização e estratégia de todos os lados bem como os diálogos internos de personagens críticos. Claro que para manter o suspense, o leitor também acaba com um ponto cego: no fim, só sabemos o que Kira e aqueles que o buscam querem que saibamos. É assim que o leitor cai em armadilhas e mesmo sabendo muito do que acontece no presente, não consegue imaginar como a história seguirá.

Com uma nota de +18 na contracapa, Death Note é um suspense intenso. E, no meio disso tudo, temos um debate sobre o que é certo e errado em uma história que mexe com o mais profundo sentimento de justiça do leitor. A isso é alinhado a um enredo cheio de ação e reviravoltas imprevisíveis que passam por traições e manipulações até exploração e ganância corporativa. Há ainda um comentário pertinente sobre como os humanos reagem a poderes que não sabem explicar, automaticamente endeusando tal poder e criticando os que são contrários a ele. E acreditem, o enredo transita muito bem por todos esses temas.

O anime segue a história à risca e, em 38 capítulos, entrega a história de Death Note exatamente como manda o figurino. É uma adaptação extremamente fiel ao mangá. Vale dizer que a adaptação live action da Netflix não é a primeira – em 2006, o cinema japonês lançou sua própria adaptação e, pasmem, com atores japoneses.

Mesmo com tantas adaptações, a leitura do mangá original faz com que o leitor siga o ritmo de Kira e L desde o começo e isso é importante para que se tenha tempo hábil de analisar o impacto de cada ação, cada reviravolta e cada personagem que nos é apresentado.

Viciante do começo ao fim.

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