Mangá – Adolf: Vol. 1
por Patricia
em 05/09/16

Nota:

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Já comentei diversas vezes sobre meu gosto por histórias de Guerra – principalmente aquelas relacionadas com a 2a Guerra Mundial. Já há algum tempo eu ouvi falar sobre esse mangá chamado Adolf – nem quis saber mais nada, comecei a procurar onde poderia adquiria a série – são 5 volumes ao todo. Com muita dificuldade, acabei encontrando os primeiros 3 volumes em um estande de quadrinhos na Bienal de São Paulo esse ano. Bati o olho e lá estavam, de acordo com a atendente, as últimas unidades da série que eles tinham.

Tezuka, autor da obra, é um mangaká (como se referem os japoneses aos desenhistas de mangá) considerado o Pai do Anime e chamado, às vezes, de Walt Disney do Japão pela influência que suas histórias tiveram em gerações e gerações do país.

Para uma pessoa não iniciada em anime, podemos imaginar que esse estilo de desenho seria algo destinado muito mais a histórias de aventura ou mais “infatis” do que algo mais “sério” e baseado em fatos históricos. Tezuka prova que isso não é verdade. Em Adolf, ele se utiliza da História para criar um enredo fantástico, com um ritmo insano de suspense policial.

Tudo começa nas Olimpíadas de Berlim em 1936 – as que marcariam Hitler como o homem à frente da nova Alemanha. Já se falava do nazismo, mas ainda não se sabia dos atos insólitos que aconteciam, na época, por baixo dos panos. Sohei Toge é um jornalista japonês que está na Alemanha para cobrir os jogos olímpicos. Seu irmão, Isao, está morando na Alemanha como estudante de intercâmbio. Quando os jogos estão prestes a terminar, Sohei recebe uma ligação preocupada e urgente de seu irmão pedindo que o encontre naquele dia.

Ao chegar no apartamento de Isao, Sohei descobre tudo revirado e não encontra o irmão…até olhar pela janela e descobrir um corpo preso na árvore em frente ao prédio. Ao chamar a polícia para vir retirar o corpo de Isao, Sohei se apressa em encontrá-los na delegacia para fazer uma denúncia de assassinato – o que ele esperava que fosse um processo normal de abertura de investigação. Só que o corpo de seu irmão nunca chega à delegacia. De volta ao prédio em que Isao morava, ninguém reconhece que o conhecia e outra pessoa diz que sempre morou naquele apartamento. Todos os traços do estudante desapareceram junto com o corpo. Desesperado, Sohei decide permanecer na Alemanha para tentar descobrir o que aconteceu.

Antes de chamar a polícia, Sohei havia encontrado um papel com as iniciais RW ampliando o mistério do que poderia ter acontecido. Ele coloca, então, um anúncio do jornal dizendo que está buscando essa pessoa explicando que é irmão de Isao. Uma ligação anônima o leva ao interior de uma cidade alemã onde ele descobre todos da casa mortos – inclusive as crianças. Atrás da casa, a terra debaixo de uma árvore parece ter sido revirada recentemente. Ao escavar, ele encontra o corpo do irmão. Inocentemente, ele liga para a policia para avisar do seu achado. E acaba preso.

Tudo isso parece o enredo completo da história mas ainda estamos no primeiro capítulo!

Três Adolfs aparecem nessa história: um jovem judeu filho de imigrantes alemães, um jovem filho de um nazista com uma japonesa (eles se tornarão amigos já que ambos moram no Japão) e o próprio Hitler. As histórias de todos eles vão se intercalar em uma mistura de conspiração governamental, resistência, mortes e violência.

Tezuka conduz a história de uma maneira excelente, criando camadas que resultam em personagens com mais profundidade do que podemos encontrar em um quadrinho comum. Não é apenas o tema que garante um tom mais sério ao enredo, pois a maneira como cada personagem precisa enfrentar seus próprios problemas e preconceitos no dia a dia acrescenta um tom de realidade e reconhecimento para o leitor. É assim que o autor consegue nos prender nessa história.

Essa foi minha primeira experiência com um mangá. No começo foi um pouco estranho me acostumar a ler um livro ao contrário – os mangás devem ser lidos de trás para frente. Uma vez que a história pegou fôlego, não importava mais de que lado era o quê. Os desenhos são bem realistas e todo o mangá é em preto e branco. Li todas as 260 páginas de uma vez só, parando apenas para o básico. E ainda tive que me segurar para não pegar o volume 2 – são 5 volumes ao todo na série – e aí basicamente deixar de ser uma pessoa produtiva porque acredito que eu não conseguiria largar o segundo também.

Simplesmente fantástico.

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