Netflix com o Poderoso – A mente do assassino: Aaron Hernandez
por Patricia
em 24/02/21

Nota:
Killer Inside key art.CR: Netflix

Em 1994, um caso de assassinato chamou a atenção do mundo: O. J. Simpson seria julgado pelo assassinato de sua ex-esposa, Nicole Brown Simpson. O caso virou um circo midiático, gerando o que podemos chamar de torcidas pró e contra o jogador. Eventualmente, ele foi absolvido do crime, apesar de dúvidas sobre sua inocência existirem até ele lançar um livro contando o caso do seu ponto de vista, intitulado “If I did it” (“Se fosse eu” em tradução literal) em que conta detalhes do caso que poucos saberiam.

Em 2013, outro jogador de futebol de um grande time causaria furor ao ser indiciado por assassinato: Aaron Hernandez, jogador de um dos maiores times da NFL, o New England Patriots (o time do marido da Gisele Bundchen). A vítima era um jogador semi-profissional, Odin Lloyd.

No documentário A mente do assassino: Aaron Hernandez, a Netflix mergulha em depoimentos de amigos, familiares, jornalistas que cobriram o julgamento, além de gravações do próprio Hernandez na cadeia para contar a ascensão e queda de Hernandez e responder a pergunta “por que alguém que tinha tudo, faz algo assim?”

O primeiro episódio é dedicado a demonstrar o quanto Hernandez tinha uma carreira promissora, recebendo uma bolsa esportiva aos 14 anos para jogar futebol americano pela University of Connecticut. Não demora muito, porém, para os problemas aparecerem: o pai, que foi um grande atleta em seu tempo, também era violento e abusivo, chegando em casa bêbado e espancando a esposa na frente dos filhos diversas vezes.

O julgamento se deu ao mesmo tempo em que os Patriots tinham uma de suas melhores temporadas. A polícia não pareceu ter tido dificuldades em encontrar evidências do envolvimento de Hernandez no crime. A proposta toda foi bem amadora a ponto dele usar um carro alugado…em seu próprio nome. Ou câmaras da casa do atleta terem flagrado ele entrando em casa na madrugada do assassinado com o que parecia ser uma arma. A namorada de Hernandez era irmã da namorada de Lloyd trazendo um tom shakespeariano para a história quando é revelado que a cunhada pode ter dado informações importante para a polícia sobre o caso. Casos de família, de fato.

Uma nova reviravolta é que vem à tona que Aaron teve algumas experiências sexuais com um amigo de time, insinuando que ele poderia ser gay ou, ao menos, bissexual. Mas os pais de dois atletas não aceitariam filhos que não fossem o exemplo do jovem macho.

O enredo vai ficar mais grosso quando, na garagem de uma prima de Hernandez, é encontrado um carro que a polícia buscava havia um ano em relação ao duplo homicídio de dois imigrantes de Cabo Verde. Uma semana depois desses assassinatos, ocorridos em 2012, Hernandez fechou um contrato de 40 milhões de dólares com o Patriots.

Os dois outros episódios dessa minissérie nos levam aos julgamentos com uma boa dose de detalhe. As encenações adicionadas pelo direto McDermott não acrescentam muito na história. Como os casos ocorreram recentemente, há muitas fontes de informação e as encenações não são necessárias.

A questão de Hernandez é que há diversos motivos que o levaram a esse caminho e o documentário tenta abarcar todos: a criação difícil e severa com um pai violento; a homossexualidade escondida por anos e anos; um possível caso de abuso na infância e, até mesmo, um traumatismo craniano que teria começado junto com sua carreira de atleta – algo que tem sido cada vez mais comentado no mundo do futebol americano. Também não podemos excluir daqui um toque de masculinidade tóxica, apesar de isso não ser tratado no documentário abertamente. Em 2017, Hernandez cometeu suicídio na prisão. Dois dias antes, apresentadores em uma rádio haviam feito diversas piadas com a possibilidade dele ser gay.

Com todo esse contexto, o documentário apresenta uma conversa muito mais extensa e importante do que apenas o famoso culpado ou inocente de documentários de crime.

Postado em: Netflix
Tags:

Nenhum comentário em “Netflix com o Poderoso – A mente do assassino: Aaron Hernandez”


 

Comentar