Netflix com o Poderoso – Night Stalker
por Patricia
em 29/01/21

Nota:

*Gatilho: violência sexual

Em 1985, em um verão quente na Califórnia, algo obscuro acontecia. Na calada da noite, um homem entrava em casas e atacava moradores de diversos bairros da cidade. Em um período de 6 meses, 12 pessoas foram assassinadas, outras tantas foram atacadas (sobrevivendo por vezes) e diversas crianças foram sequestradas. Todos os crimes continham um tom excessivo de crueldade de um assassino que gostava de torturar e abusar sexualmente de suas vítimas – não importava a idade: ele estuprou uma menina de 6 anos e uma idosa de 83. Sem um padrão claro nos ataques, todo mundo parecia ser uma potencial vítima. A cidade entrou em pânico e a polícia não conseguia pistas de quem poderia estar por trás desses crimes.

Night Stalker é uma minissérie documental produzida pela Netflix de 4 episódios que traz os policiais responsáveis para contar sobre o processo de descobrir o caso, cada nova morte e se deparar com uma parede de informação em que nada permitia uma ínfima dedução. Os policiais, como é de se esperar, lembram do caso com detalhes impressionantes. A organização da série, colocando os assassinatos em ordem cronológica, é acertada no mesmo tom em que é doída de acompanhar e cria um clima de tensão do começo ao fim. É quase como se estivéssemos descobrindo assassinatos brutais no noticiário e, ao mesmo tempo, vendo que a polícia não tem nada para resolver o caso. Dá para imaginar com muita clareza o desespero que baixava na Califórnia dia após dia dos ataques.

O maior trunfo do diretor, porém, são as entrevistas com familiares das vítimas incluindo uma com uma das vítimas que, quando foi abduzida, tinha 6 anos. Ela foi estuprada e depois abandonada em um posto de gasolina. Também foi uma das primeiras pessoas a identificar o homem conhecido como Night Stalker – mais tarde identificado como Richard Ramirez. Essas entrevistas são mostradas junto com fotos reais das cenas de crimes porque não importa o quanto tentemos imaginar o mal, não parece chegar nem perto do que Ramirez deixava para trás.

O que talvez seja desnecessário são as encenações de alguns dos crimes que são de gosto duvidoso em uma série com um tema já tão pesado. A tentativa de criar simbolismos com animais também é uma escolha pobre para alguém que, podemos presumir, tinha nas mãos um orçamento considerável.

Se essa história estivesse em um filme, seria considerada muito maluca. A forma como a polícia não só descobriu quem era o assassino, como fechou o cerco para prendê-lo, era impensável até mesmo para os próprios policiais. Foi um misto de sorte e uma população revoltada, basicamente, que derrubou um dos maiores serial killers dos Estados Unidos na época.

Tiller Russell, diretor da série, ainda traz cenas do julgamento de Ramirez quando ele passou de homem mais assustador do mundo, para objeto de admiração de diversas mulheres que se tornaram suas “groupies”. Isso tudo apesar de ter matado pelo menos 14 pessoas e estuprado mais de 20, entre mulheres e crianças. O diretor, horrorizado por esse status, comentou em uma entrevista que quis dar ao assassino o menor tempo possível de tela e trazer a narrativa das vítimas e dos policiais para o primeiro plano. Em segundo plano fica uma crítica clara à transformação de Ramirez, para algumas pessoas, de assassino a “rockstar“.

Apesar das cenas pesadas e talvez das cenas desnecessárias citadas antes, o documentário é bom e faz o que tem que fazer: prender o espectador à tela em cada episódio.

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