Netflix com o Poderoso – Quem matou María Marta?
por Patricia
em 10/06/21

Nota:

Entre 98 e 2002, a Argentina passava por uma das maiores crises econômicas de sua história. A população saía às ruas com frequência e ao final de 2001, o presidente Fernando De la Rua renunciou. No limite, o povo estava ávido por notícias que não envolvessem política e economia. E aí o corpo de Maria Marta Garcia Belsunce, de 50 anos, foi encontrado em um condomínio fechado de alto padrão.

À primeira vista, parecia que María tinha caído ao tentar entrar na banheira, batido a cabeça e morrido. Foi o que o marido dela de 30 anos, Carlos Carrascosa, reportou à emergência e aos amigos. A casa rapidamente se encheu de pessoas e não uma, mas duas ambulâncias chegaram na cena.

A confusão começa quando, meses depois de enterrado, o corpo de María é exumado para a autópsia e são encontradas seis balas em sua cabeça. Os componentes de uma população em busca de algo que mostrasse que suas vidas não eram tão ruins, uma imprensa sensacionalista e uma família de renome da elite do país, se tornaram a receita perfeita para um frenesi no país.

A minissérie, em quatro episódios, segue o roteiro clássico de séries desse tipo – um passo a passo do que aconteceu na cena de acordo com as primeiras testemunhas e depois a versão investigada pela polícia que levou a uma história completamente diferente do que se pensava.

A construção do caso e a forma como o diretor Alejandro Hartmann acrescentam as novas descobertas, ampliam a tensão em cada episódio na busca da resolução de um dos crimes mais famosos da Argentina até hoje.

O caso é famoso não apenas pelo circo midiático que se formou, mas também por ter gerado um dos casos clássicos de condenação errônea em que o marido de María Marta ficou preso por sete anos até que a revisão da linha do tempo do crime mostrar que ele não poderia estar fisicamente na cena do crime. A família toda, basicamente, passou por um julgamento público à medida que se cavocava os privilégios da família em um país em que privilégios pareciam cada vez mais escassos.

Há uma discussão sobre o papel da mídia em ampliar narrativa fantasiosas que, se você acompanha documentários sobre crimes o mesmo tanto que eu, já sabe o quanto isso é normal. Quando se juntam fatores específicos, qualquer caso pode virar um show midiático.

Se tem uma coisa que o documentário mostra bem é como a opinião pública é fugaz e vai alternar de acordo com o vento – nada mais bem exemplificado do que uma médica que acompanhou o caso pela TV e, depois de ver uma determinada entrevista, disse que via o caso com novos olhos, “como se uma venda saísse de meus olhos”. Ela montou, então, um blog em defesa da família de María Marta.

Uma coisa que gosto demais da Netflix é o investimentos em séries fora do eixo Estados Unidos – Europa. O formato é padrão, sim, mas é bom ouvir novas vozes, novos sotaques e línguas. Mesmo se a história seja tão chocante e absurda como essa.

Hartmann trás depoimentos de quase toda a família de María Marta, de Carrascosa, do promotor do caso e vários jornalistas que cobriram a história, mas completamos a minissérie e ficamos tal como quem acompanhou o caso na Argentina: com mais perguntas do que respostas.

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