Participação Especial – Homens, mulheres e filhos
por Poderoso
em 20/02/15

Nota:

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Por Bruno Lisboa

Quantas e quantas vezes cinéfilos de plantão são pegos de surpresa quando descobrem nos créditos iniciais do filme que irão assistir é na verdade uma adaptação de algum livro? Para leitores assíduos, tal descoberta gera aquela nota mental para, assim que possível, correr atrás da edição impressa e realizar a inevitável comparação entre os formatos. De maneira geral a avaliação que predomina é a de que “o livro é sempre melhor” e, na maioria das vezes, tal constatação é acertada. Para o livro de Chad Kultgen Homens, mulheres e filhos Editora Record) a sina não é diferente. Se no filme de Jason Reitman (Juno), o mesmo traça um retrato piedoso e vazio dos tempos atuais, Kultgen no texto original aposta numa visão densa e real.
Objetivando traçar um painel fidedigno da sociedade atual, tendo como foco o cidadão norte-americano comum, Kultgen faz uso de vasto núcleo de personagens para ilustrar a imperativa mudança comportamental. Desde o advento tecnológico da internet é sabido que as relações humanas foram transformadas drasticamente e é a partir desta premissa que o autor permeia sua análise.
A narrativa tem em seu cerne jovens e adultos que se tornam meros escravos de valores vigentes da contemporaneidade. A política sexual, hoje largamente discutida na mídia, é força motriz do drama. Calcado num formato soft porn literário, tal realidade é externada através da mentalidade de adolescentes (estudantes do ensino médio) que descobrem a sexualidade de maneira precoce e que buscam de maneira desenfreada pela sua “primeira vez” ou por saciar seus desejos através de vídeos pornográficos. Não obstante, temas como anorexia e o vício em jogos eletrônicos também são traçados em perfis muito próximos aos que visualizamos hoje.
O núcleo adulto, por sua vez, é dominado por relacionamentos conturbados, cujos casamentos infelizes ou de relações afetivas mal resolvidas resultam numa infelicidade contínua. Prostituição e sites de relacionamento extra conjugal, por exemplo, são algumas das soluções encontradas por pais depressivos, que se encontram perdidos no mundo atual. A busca por controle absoluto e a permissividade ante a vida dos filhos também surgem como contrapontos ante educação de hoje que ainda não encontrou o meio termo.
Sem glamorizar a realidade ou mesmo moralizar, Kultgen cria um poderoso retrato contemporâneo. Aceitando ou não, esta é a realidade na qual estamos imersos. Enquanto soluções para o caos social que vivemos ainda não foram encontradas, a vida segue desmedida e aparentemente com um mal irremediável.
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