Participação Especial – Semana de Cinema – Grande Hotel Budapeste
por Poderoso
em 24/02/15

Nota:

download

Por Bruno Lisboa, publicada originalmente em Scream & Yell 2.0

O diretor Wes Anderson faz parte da geração de cineastas, tal como Paul Thomas Anderson, que promoveram na década de 90 uma reformulação do modo em que cinema poderia e deveria ser visto: com perspectiva de futuro, mas nunca renegando o seu passado. E desde Bottle rocket(1996) Anderson tem colocado em exercício este diálogo.

Logicamente, o aprendizado fez parte deste processo no qual filme após filmes, o tal como visualizamos em seu segundo filme Rushmore (1998), Wes foi encontrado forma e estilo próprios até a chegada dos mais celebrados de seus filmes, Os excêntricos Tenenbaums (2001)longa que concorreu ao Oscar de Melhor roteiro, onde definiu o estilo que o consagraria: roteiro multifacetado e carregado de personagens cativantes, divertidos e estranhos ao olhar comum, direção de arte impecável e trilha sonora marcante. Definida a premissa, o diretor americano seguiu a sua carreira alternando momentos de glória (a animação O fantástico senhor raposo Moonrise kingdom, ambos concorrentes do Oscar nas categorias animação e roteiro respectivamente) e outros que chegaram perto disso (A vida marinha de com Steve Zissou eViagem a Darjeelling). Para 2014 o diretor volta aos holofotes com Grande Hotel Budapeste.

Partindo de um roteiro próprio e simples, Anderson novamente nos conduz ao seu grandioso universo cinematográfico. O foco desta obra é Monsieur Gustave H. (Ralph Fiennes), concierge do famoso, porém agora decadente, Hotel Budapeste, cuja lendária coordenação dos trabalhos lhe rendeu ares míticos. A partir deste centro temos novamente Andeson abrindo o leque de opções e novamente uma gama de personagens dão o ar da graça: um jovem escritor (Jude Law), os vilões (Adrien Brody e Willian Dafoe), um militar (Edward Norton), o jovem e fiel escudeiro de Gustave (o brilhante Toni Revolori), um velho amigo (o sempre presente Bill Murray) e a amante (a fisicamente irreconhecível Tilda Swinton) são alguns deles. Mesmo que a maioria surja de forma breve, o elenco dá o tom e imprime ritmo e beleza ao longa que mescla doses de humor com mistério.

Tecnicamente este é talvez o filme onde Wes tenha colocado em prática todo o seu vasto e diverso conhecimento de direção, pois tomadas longas e sem corte, cenários compostos de forma impecável (dosando de forma equilibrada cores e iluminação), animações convivem em harmonia e é impossível não reparar cada detalhe impresso a cada mudança de locação. Tantos predicados técnicos acabaram por render ao longa quatro Oscars nas categorias Melhor Maquiagem e cabelo, Figurino, Design de produção e Trilha sonora.

Ainda falando sobre a trilha, o trabalho de Alexandre Desplat (com quem Anderson já havia trabalho anteriormente por 2 vezes), aposta em peças clássicas criadas pelo próprio compositor que somado ao resgate de canções folclóricas russas executadas pela Osipov State Russian Folk Orchestra, cria a ambientação correta para o caráter retrô do filme.

Por fim, ao manter fiel ao seu modo operante de trabalho e a sua abrangente visão de mundo, Wes Anderson segue em voga produzindo o que de melhor sabe fazer: cinema popular, com grande apelo técnico e comovente a cada frame.

Postado em: Participação Especial, Semana de Cinema
Tags:

Nenhum comentário em “Participação Especial – Semana de Cinema – Grande Hotel Budapeste”


 

Comentar