Participação Especial – Vidas Secas
por Poderoso
em 05/03/13

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O romance de Graciliano Ramos deixa de lado o sentimentalismo e retrata de forma crítica e real a vida do sertanejo nordestino na década de 30. A miséria, desigualdade, seca e o meio de vida escasso. O livro foi escrito na segunda época do modernismo, mas há nele pequenas características do naturalismo. É uma obra com grande significado sociológico, pois mostra a coisificação das pessoas. Vidas Secas é uma denúncia social. Foi uma obra muito importante para a segunda fase do modernismo por ser uma literatura regionalista com grande teor político e psicológico.

Em Vidas Secas, o autor mostra a família de Fabiano migrando pela necessidade de sobrevivência, saindo de sua casa antes do dia amanhecer, fugindo das dívidas, da seca e da miséria. A mulher de Fabiano, Sinhá Vitória, é mais esperta e com mais capacidade de entendimento que seu marido, e sabe fazer conta. Ela é inconformada com a situação em que vive e queria que os filhos estudassem e tivessem um futuro totalmente diferente.

Em meio a tanto sofrimento, muitas vezes os pais não têm paciência ao lidar com as crianças. A falta de instrução das pessoas e a dificuldade que enfrentam ao se relacionar até mesmo uns com os outros pela falta de vocabulário faz o livro ter diálogos curtos e simples. A vida subumana não muda a amabilidade deles que é mostrada pelo afeto que todos dedicavam a Baleia, cachorra da família, e a admiração do menino menor pelo seu pai.

Quando eles saem do seu ambiente rural e vão para a cidade se sentem diferentes de todos, perdidos e ficam desconfiados. Em dias de festa tentam até seguir os costumes das pessoas, mas se sentem desconfortáveis usando sapatos fechados, roupas engomadas e controlando suas ações com medo de serem ridicularizados. Por isso, preferem viver mais isolados, tendo a companhia um do outro.

Graciliano Ramos consegue mostrar pelo seu modo de escrever, sem extensos parágrafos descritivos e lotados de adjetivos, a aridez do ambiente que narra. Outro ponto visível nessa obra é que até mesmo pessoas mais instruídas, representadas no livro por Tomás da bolandeira, passam dificuldades quando a seca vem, matando o gado, a plantação e secando rios e poços.

Ao ler esse livro encontramos nele um pai de família sertanejo em suas alpercatas, roupa de couro e camisa de algodão cru a se perguntar: ” Por que não haveríamos de ser gente? ” pois a impressão que o personagem tem é que é apenas um bicho sobrevivendo a cada dia.

Acredito que esta é uma leitura que todos devam fazer não só pelo fato de ser um clássico ou pela grande presença em vestibulares e concursos, mas porque é um livro que retrata o sertão brasileiro e seus personagens de uma forma simples e muito verdadeira para o entendimento de todos.

Participação especial de Débora Viana

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