Resenha de Quadrinho – Capitão América: Morre uma lenda
por Thiago
em 17/04/15

Nota:

morre uma lenda

 

Sei que muita gente ainda percebe os quadrinhos como uma literatura inferior ou até mesmo algo apenas para crianças e adolescentes, ainda mais quando são histórias de super heróis, como esta que quero apresentar pra vocês.

Capitão América – Morre uma lenda já conta muito no próprio título, mesmo no título original “Fallen Son – The death of Captain America”, mas não é um spoiler. A história vai além da morte ou de quem matou o anabolizado herói, temos aqui uma alegoria sobre o luto.

Tudo começa depois da trama de “guerra civil”, que já resenhei anteriormente aqui. Pra quem não lembra essa história anterior trata do cadastro de heróis e não heróis do universo Marvel pelo estado americano, isso dividiu os “mocinhos” em dois blocos, um chefiado pelo Capitão América e outro pelo Homem de Ferro. Aqui, em “Morre uma lenda”, teremos diversas voltas e feedbacks a guerra e aos feitos do Capitão, mesmo quando era apenas o franzino Steve Rogers.

A ideia no mínimo corajosa de matar um dos heróis de nome que representa o sonho, ideial ou sei lá o que dos EUA, veio de um monte de gente, mas o desenvolvedor da proposta foi Jeph Loeb. Anualmente a Marvel reúne seus editores e roteiristas para debater o próximo ano, na reunião em que decidiram fazer “guerra civil” a ideia da morte do Capitão América apareceu, mas foi um tempo depois que se decidiu aproveitar essa ideia em um grande evento, matar um símbolo não é simples nem pouca coisa, logo virou um evento internacional e um arco extremamente bem vendido.

jeph loeb

Quanto as ilustrações, cada capítulo tem um, o primeiro que representa a negação, fase inicial do luto, tem como personagem guia Wolverine e é desenhada por Lenil Yu. Vale ressaltar que antes deste capítulo temos uma parte introdutória, com a morte do Capitão, após isso há a negação de Logan, que busca uma comprovação sobre o evento.

wolverine

O segundo caítulo, Raiva, desenhado por Ed Mcguinnes, tem os Vingadores como guia. Acompanhamos o grupo ser tomado pela raiva do evento principal, tal qual uma doença contagiosa que toma conta de todos, mas como estamos falando de super heróis as coisas podem semrpe tomar maiores proporções.

O capítulo 3, Barganha, é desenhado por John Romita Jr., nos traz como personagem guia o Gavião Arqueiro. Através dele somos apresentado a tentativa de aceitação através da barganha da morte de Steve Rogers. A “barganha” pricipal mostrada nete capítulo é a do Homem de Ferro.

No capítulo 4 , Depressão, desenhado por David Finch, encontramos o Homem Aranha repensando tristemente sua trajetória. A morte de um amigo, ainda mais aquele que te serve de exemplo, como Rogers servia para Parker, deve realmente nos tirar o chão, e é assim que encontramos Peter Parker, sem chão.

O capítulo 5 e último é a Aceitação, desenhado por John Cassaday e guiado pelo Homem de Ferro, talvez uma das partes mais tristes de todas. Encontramos aqui o momento em que a vida segue, mesmo pra Tony Stark, aquele que se culpa pelos eventos ocorridos. Além disso temos o velório e enterro do Capitão.

Capitão América representa a esperança de ideais americanos, não um ufanismo da pátria em primeiro lugar, mas algo mais ligado a liberdade. Vale ressaltar que a história foi publicada em 2007, o ano mais difícil da guerra dos Eua contra o Iraque, que começou em 2003. Alcançando a cifra de 897 soldados americanos mortos ( em 2003 foram 486; em 2004, 849; em 2005, 846; em 2006, 822 ). As repetidas alegações de Bush que a situação no Iraque melhora a cada dia são, assim, desmentidas pela simples apresentação das estatísticas de baixas americanas no país. Além das baixas de civis iraquianos, massacrados no conjunto dos ataques terroristas e as retaliações das milícias xiitas, sunitas e das forças de “ordem” sejam iraquianas, sejam americanas. Números falam em 86.060 mortos civis iraquianos no final de 2007.

Levando esses dados em conta podemos compreender melhor o impacto e importância desta revistinha. No Brasil foi relançada em um encadernado bonito pela Salvat este ano.

Boa leitura a todos.

 

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