Resenha – Como falar com garotas em festas
por Thiago
em 04/12/17

Nota:

 

Fábio Moon, Gabriel Bá e Neil Gaiman: quando vi estes nomes juntos fiquei alucinado. O quadrinho, publicado ano passado no mercado americano pela editora Dark Horse, é uma adaptação do conto homônimo de Gaiman, por sua vez publicado na coletânea “Coisas frágeis Vol. 1” do autor.

O bacana é que a adaptação em quadrinhos é bem fiel ao conto, os irmãos Bá e Moon se mostram novamente muito hábeis na tarefa de adaptar um livro para os quadrinhos, assim como nas adaptações de “Dois irmãos” de Milton Hatoum (resenhada aqui)  e “O Alienista” de Machado de Assis, que ganhou o prêmio Jabuti em 2008, na categoria “didático, paradidático, fundamental ou médio”. São poucas adaptações destas duas linguagens que me agradam, mas as destes irmãos sempre gosto.

 

Como toda história de Neil Gaiman, nada é o que parece e o fantástico se apresenta de maneira sutil e delicada. Quando você entende, simplesmente já aconteceu, não há grandes rupturas entre o real e a fantasia. É isso que me faz admirar tanto este autor, a leveza na relação entre o real e o fantástico.

Aqui somos apresentados à dois adolescentes, Enn, que não leva muito jeito com garotas e seu amigo Vicc, já mais esperto neste assunto. Tudo se passa numa Londres dos anos 70, ambientada no cenário punk, eles são convidados pra uma festa, onde conhecem garotas lindas, charmosas e envolventes, mas esta é uma história de Neil Gaiman e as coisas não são tão simples assim. O que acontece? Prefiro que fique a dúvida, mas vale dizer que assim como estes adolescentes que querem descobrir mais sobre garotas, as “meninas” da casa onde estava rolando a festa também buscam descobrir muita coisa.

Ilustração e edição estão incríveis, perfeita pra história, um texto que confesso, não me agradou muito, queria mais, mais enredo, mais informação, ao menos uma continuação. A Cia das letras, em seu braço dedicado aos quadrinhos, está de parabéns por esta edição. Terminei a leitura com uma sensação de “sério que acabou?”. Até reli pra ver se não tinha deixado passar algo, e isso é bom e ruim, resolvi até ler o conto, o que não tinha feito antes, pra entender melhor a história e a adaptação. Pude concluir que a adaptação é fiel e que o conto é muito bacana, ai me sobram duas opções: a primeira foi minha elevada expectativa, a segunda seria a história funcionar melhor como conto do que como Hq. A questão é que vejo essa sensação de quero mais, como o ponto positivo e negativo, pois quando uma história te faz querer continuar lendo, quando ela te instiga, mesmo quando a história termina, é ótimo, entretanto a sensação de inacabado é ruim pra caramba. Outro ponto que devemos levar em consideração é uma possibilidade metafórica. Ao invés de ficar com essa opinião indecisa, leia este quadrinho e tenha a sua própria, depois venha aqui me contar.

Vale ainda dizer que este conto passou por mais uma adaptação, e este ano virou filme. Dirigido por John Cameron Mitchel, de Rabbit hole e Hedwig – Rock, amor e traição, tendo no elenco Ellen Fanning e Nicole Kidman. A estreia já ocorreu no festival de Cannes deste ano, dividindo opiniões dos críticos. Pelo visto, o filme traz o conto e preenche as lacunas permitidas pelo texto, ansioso pra ver.

 

***

Livro enviado pela editora

Postado em: Quadrinhos
Tags: , , ,

Nenhum comentário em “Resenha – Como falar com garotas em festas”


 

Comentar