Resenha de Quadrinho – Bizarro
por Thiago
em 15/06/16

Nota:

 

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Lançado na gringa em 2015 e neste mês aqui no Brasil, temos pela Panini um encadernado de história fechada do BIZARRO – HQ escrita por Heath Corson e desenhada pelo brasileiro Gustavo Duarte. Corson é conhecido por roteirizar vários filmes animados da DC, já Duarte ganhou projeção internacional com sua revista do Guardiões da Galáxia para a Marvel. No Brasil, já é conhecido por suas obras autorais como Birds, Có e Monstros (a última já resenhada aqui). Sou muito fã deste desenhista, seus traços fogem bem do padrão super herói, vão para um lado mais cômico e por isso se encaixou tão bem com o personagem e com o roteiro de Corson.

 

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Antes de falar da revista vale falar sobre a empreitada que chega por aqui com atraso, mas chega. Falo da iniciativa DC You, aqui traduzida para DC & Você. Pelo que entendi, temos aqui uma campanha para atrair novos leitores e para isso fizeram, e estão fazendo, histórias que não focam tanto na cronologia dos personagens (quando digo cronologia, me refiro às mudanças feitas com os Novos 52). O que vale aqui é a história, trazendo para o palco personagens vistos como menores. Amit Desai, vice presidente de marketing da DC disse que: “Dentro do Universo DC, há uma história para cada tipo de fã da DC Comics, há uma história para você”. Analisando esta frase fica claro a busca por novos leitores, aproveitando aqueles que se tornam simpáticos às histórias da DC através dos novos filmes live action dos personagens.

 

 

Vamos apresentar o Bizarro antes de falar da revista mesmo. Creio que muitos de vocês não conhecem, eu mesmo tenho em mente o personagem em uma série animada da liga da justiça que passava no SBT e só. Mas como disse Gustavo Duarte em uma entrevista, é isso mesmo, não precisa de muito mais pra entender esse personagem. A origem dele é complicada, tem umas 3 no mínimo, como vários outros personagens DC, em uma ele é um alien e em outras um clone do Super homem que deu errado, mas em todas ele é o herói da cueca vermelha ao contrário. Bizarro é todo trocado, até a maneira de pensar e falar é assim: bom é ruim, descer é subir, bonito é feio recuar é atacar e por ai vai.

Segue um vídeo que explica mais sobre sua origem:

 

Não concordo muito em chamar este personagem de vilão, tão pouco de anti herói, prefiro a ideia de não herói. Bizarro quer ser um super herói, mais especificamente o Super Homem. Entretanto, lhe falta inteligência e ele acaba sempre fazendo merda enquanto tenta ser herói. Não é por maldade, mas sim por burrice.

Agora vamos à revista. Referências, referências, referências, referências por toda parte. São tantos easter eggs que fiquei maluco. Após este adendo segue uma breve sinopse: os moradores de Metrópolis (cidade que o Super vive) querem Bizarro fora dali. Para que isso aconteça o fotógrafo do Planeta Diário, Jimmy Olsen, melhor amigo do Clark e brother do cueca vermelha, resolve convidar nosso “não herói” para uma road trip de carro até os Estados Unidos bizarro, ou seja, o Canadá. Olsen não faz isso por heroísmo, pretende registrar a viagem em fotos e lançar um livro contando a experiência e ficar famoso.

 

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A história da HQ é o desenrolar dessa viagem, que é também um grande passeio pelas cidades estadunidenses fictícias da DC. Caso já tenha visto um clássico da sessão da tarde “Antes só do que mal acompanhado” (Planes, trains and automobiles) do icônico diretor que é a cara dos anos 80, John Hughes, irá entender perfeitamente o clima desta HQ. É como se Bizarro fosse Del Griffith, personagem do falecido John Candy, um trapalhão inconveniente. Assim, Jimmy, Bizarro e seu Chupa Cabras de estimação viajam pelos EUA encontrando diversos personagens do universo DC.

 

 

Para aqueles que como eu cresceram na década de oitenta, esta revista é uma ótima pedida, nada profunda, nem com grandes pretensões, mas leve e divertida. A versão encadernada reúne as seis edições feitas pra esta versão Bizarra pela DC You. As capas tiveram artistas de peso convidados: Bill Sienkiewicz, Kelly Jones, Francis Manapul, Rafael Albuquerque, Fábio Moon, Gabriel Bá, Tim Sale e David Stewart.

Em relação às referências, elas vão muito além do universo DC: trazem muita coisa da cultura pop e mesmo da obra autoral do Gustavo Duarte. Vamos ver o que você descobre, algumas são bem nítidas outras exigem esforço.

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Além de uma história de road trip, temos aqui uma boa lição sobre amizade e o relacionamento. Aceitar o diferente é sempre algo extremamente complicado, ser amigo do diferente, do que consideramos bizarro então, é de extrema complexidade. Nada mais atual e importante do que este tema. O que consideramos bizarro e por qual motivo? Será que você é considerado bizarro pelos outros?

Esta revista é um convite bem humorado a rever seus conceitos. Em tempos em que o diferente é agredido, discriminado, vítima de chacinas; em tempos de ódio, uma revista em quadrinhos te convida a aceitar o diferente, por mais “bizarro” que ele te pareça.

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Como diria nosso desventuroso não herói, uma horrível leitura a todos!!!

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