Resenha de Quadrinho – Gabo: Memorias de una vida magica
por Patricia
em 13/04/15

Nota:

9788415530213

Já comentei aqui algumas vezes que Gabriel Garcia Márquez é meu autor preferido. Justamente por isso, decidi não resenhar mais nada dele porque tenho uma tendência nada imparcial de gostar de tudo o que ele escreve ou de deixar algumas coisas não tão boas passar porque gosto muito mesmo dele. Li Viver para contar que é uma semi auto-biografia do autor e gostei bastante (choque!). No livro, ele conta várias passagens de sua vida como as recorda.

Em “Gabo: Memórias de una vida mágica” temos uma adaptação belíssima da vida do autor – com alguns flashbacks para o passado e algumas passagens que nos mostram o futuro. Tudo começa com Gabo e sua família em uma viagem de carro onde embarcamos junto. O livro foi traduzido para o português e publicado pela Editora Veneta no Brasil – que tem uma definição de ‘Quem somos’ das mais interessantes: “Essa editora tem como responsabilidade social desafiar as convenções, os consensos manufaturados, as autoridades em geral e, se necessário, seus leitores”. (Publica Gabo e ainda me cria um lema desse? Já virei fã!)

A primeira parte da HQ nos conta como Gabo se tornou escritor com uma boa contextualização da sua infância – criança pobre criada pelos avós – e das questões principais que a Colômbia enfrentava naquela época – principalmente do impacto na vida da família Garcia Márquez quando a empresa estrangeira que basicamente sustentava a cidade começou a decair e uma guerra civil – ou quase isso – começou. Essa infância difícil moldou muito do tipo de pessoa que Gabo se tornou – como acontece com todos nós – e isso influenciou muito alguns de seus personagens e enredos.

Aprendemos, por exemplo, que o nível de necessidade era tal que quando Gabo, já adulto, terminou o primeiro manuscrito de “Cem anos de solidão”, ele e a esposa não tinham dinheiro suficiente para mandar o livro todo para seu editor. Tiveram que mandar em partes (e a segunda parte só foi enviada depois de penhorar as alianças de casamento). Nos 18 meses que levou para escrever o que viria a ser sua obra-prima, Gabo e a família foram sustentados por amigos que apareciam “como quem não quer nada” com cestas de comida.

O resultado já conhecemos: Cem anos de solidão começou a vender feito água e em 1982, Gabo levou o Nobel de Literatura. Além, claro, de ser reconhecido como um dos precursores do movimento literário do realismo mágico, que conta com grandes nomes como Juan Rulfo (que foi uma grande inspiração de Gabo), Jorge Luis Borges, Pablo Neruda e outros. Ou seja, o movimento nasceu das entranhas da América Latina e se propagou pelo mundo. Cem anos de solidão foi best seller até na China, onde foi lançado oficialmente pela primeira vez apenas em 2011.

A HQ segue um belo roteiro e as viagens no tempo dão o tom mágico/fantástico tão reconhecido na literatura de Gabo. Dividida em partes, a obra também muda o esquema de cores em cada uma delas. A primeira, tem um tom alaranjado; a segunda, um tom azulado; a terceira já é rosada (é a parte que trata da vida pessoal de Gabo com sua esposa Mercedes com que foi casado por 56 anos); e a última tem um tom verde. Essa divisão além de ser esteticamente muito bonita, também ajuda a entender cada momento da vida do autor como peça crucial no resultado final.

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Comecei a ler sem saber exatamente o que esperar, mas o resultado final é realmente bom. Para os fãs de Gabo não tem nenhuma informação nova ou desconhecida já que tudo é tirado de informações públicas do autor ou publicadas por ele mesmo ou tiradas de seus próprios livros. Mas serve como um ótimo guia inicial para quem tem interesse de conhecer mais sobre um autor que deixou obras incríveis e definitivamente marcou o mundo da literatura como um dos grandes.

Encha sua caneca e prepare-se para uma HQ belíssima!

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