Resenha de Quadrinho – O árabe do futuro 3
por Patricia
em 18/09/17

Nota:

 

Chegamos ao terceiro volume de O árabe do futuro. Aqui no Poderoso já falamos do primeiro e do segundo volumes.  A série é a biografia de Riad Sattouf – filho de mãe francesa e pai sírio que cresceu entre os dois países e duas culturas muito diferentes.

Deixamos o segundo volume com Riad contando mais sobre como era estudar em uma escola síria: a repressão dos professores, a força da religião dentro da sala de aula (e, claro, fora dela) e a pobreza generalizada das pessoas do seu vilarejo. Os sonhos de seu pai pareciam não se concretizar nunca e sua mãe parecia em um constante estado de tristeza. Sem falar a língua, sem acesso a sua própria cultura, ela se isolava de todos e dependia do marido para a comunicação mais básica. Ligações telefônicas eram extremamente caras e era preciso agendar um horário para conseguir fazer com que a conexão funcionasse.

Começamos o terceiro volume na mesma toada. A vida da família Sattouff não parece ter mudado drasticamente de um ano para outro e, entre 1985 e 1987 (os anos cobertos pelo terceiro volume), as coisas continuam no mais do mesmo. A maior mudança – e uma notícia que o leitor não sabe se considera boa ou não – é que Riad ganha um irmãozinho. No geral, a vida da família não muda tanto: Riad continua na escola (e continua estranhando tudo), ele tem poucos amigos, não sabe se portar com a família e a mãe segue isolada, sem falar a língua. Enquanto isso, seu pai continua dando aula e soltando pérolas como “as pessoas detestam quem é melhor que elas”.

Neste volume, vemos um pouco mais da dinâmica da família Sattouf: o pai de Riad não era religioso mas tentava ávidamente mostrar que não tinha perdido contato com suas raízes. Essas cenas resultam em uma certa tragédia: um homem que se considera tão moderno, um doutor formado na prestigiosa Universidade de Sorbonne na França, faz o ramadã porque se sente obrigado a provar que segue uma fé na qual não acredita.

Talvez por cobrir poucos anos, com poucos acontecimentos, esse volume poderia ter sido integrado ao anterior e reduzido significamente sem, possivelmente, perder muita coisa. Há muitas cenas que parecem similares ao que já vimos antes porque pouca coisa acontece no dia a dia da família. As coisas parecem quase tão rançosas quanto o ar seco da região. A leitura flui mais pelo meio de comunicação – quadrinhos são, claro, mais rápidos para a leitura. Se fosse um livro comum, uma biografia dividida em capítulos, diria que este capítulo se arrastaria consideravelmente.

Seguirei lendo a série e aprendendo mais com o Sattouff. É uma pena que esse volume tenha acrescentado pouco à história como um todo.

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O livro foi enviado pela editora.

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