Resenha De Quadrinhos – A Busca
por Ragner
em 20/03/13

Nota:

CIA_bucas

 

Quando folheei essa HQ pela primeira vez, minha percepção é de que me parecia muito com Tintim e pensei, por ter uma mulher na capa, que seria sobre uma versão feminina dele. Os desenhos lembram um pouco, o formato dos “balões” idem, mas essa história está diretamente ligada a acontecimentos que aconteceram durante a 2ª Guerra Mundial e trata também de trabalhar as lembranças da personagem principal. Tintim não envereda por esse caminho. O protagonista é mais um aventureiro de ficção do que uma personagem que está inserida em situações reais historicamente falando.

Esther é uma garota judia que viveu os anos de crise alemã e a ascensão nazista. Filha de médico e professora, ia percebendo como a pobreza e o desemprego tomava conta de seu país e como as pessoas estavam desesperadas. Os alemães precisavam de um “salvador” e acreditaram que o discurso sobre soberania era a esperança que poderia reerguer a nação. Hitler conduzia discursos inflamados sobre o poder e a grandiosidade do povo alemão e a propaganda nazista como se fossem a única solução para todos os problemas.

Com o tempo ela foi percebendo como o país estava mudando, mas essas mudanças somente eram notadas e enfrentadas pelos judeus ou outras minorias, consideradas uma ameaça a pureza da raça, e todo os resto alemão ia sendo ludibriado sem tanta desgraça ou repúdio. Mesmo que algumas pessoas discutissem a violência e vislumbrassem como o poder nazista agredia outros povos, poucas entendiam o que realmente estava acontecendo.

Toda sua história é contada, desde o início das perseguições, as fugas para Holanda, os esconderijos e as pessoas que se propunham a ajudar, as transformações de alemães em meros peões nazistas, a verdade sobres os campos de concentração, os conhecidos que conseguiram sobreviver e o passado que permanece na lembrança. Esther vai contando tudo em detalhes nessa HQ e um dos pontos mais relevantes foi sua separação com seus pais. Mas uma pesquisa realizada pelo neto na internet (Google), foi capaz de coloca-la em contato com a única pessoa viva que sabia como seus pais foram levados e o que aconteceu com eles.

O “clima” dessa Graphic Novel é de certa forma inocente. Os assuntos tratados tratam com a maior realidade o pavor que foi a guerra, mas a leitura e os desenhos trabalham tal aspecto de forma tranquila. Quem conhece um pouco sobre o que aconteceu e sabe interpretar o que está além dos quadrinhos, consegue sentir o peso do contexto histórico e do horror que tudo isso representa.

Gostei muito de como o autor mescla realidade e ficção. Os protagonistas foram inventados, mas tudo o que vai acontecendo e como vai acontecendo, representa muito sobre os anos de medo, dor e ódio que duraram a 2ª Guerra Mundial. Ponto positivo e bem interessante, além do trabalho em si, é um posfácio que apresenta a obra como um meio de discutir história e suas consequências de forma real. Vale muito a pena.

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