Resenha de Quadrinhos – Café
por Gabriel
em 16/02/16

Nota:

Café

Primeira resenha de obra comprada na Feira Plana! Café me chamou a atenção pela capa, admito. O traço de Gabriel Jardim e a colorização interessante – em tons de marrom que fazem referência à bebida – me atraíram e uma rápida folheada me prendeu.

A obra foi financiada pelo Catarse, plataforma brasileira de crowdfunding. O autor publicou seus rascunhos, a ideia, e conseguiu financiamento de pessoas comuns através do site, o que possibilitou que o livro fosse publicado de forma independente. A edição não deve nada às feitas por editoras, com capa e miolo em papel de qualidade e formato americano, tratamento de Graphic Novel.

Gabriel Jardim mora em João Pessoa e foi influenciado a entrar no mundo dos quadrinhos quando conheceu Mike Deodato Jr. (um quadrinista brasileiro de sucesso), ainda muito novo. Café é sua primeira obra como quadrinista independente; nela, Gabriel executa roteiro e arte com um resultado muito promissor.

A história se passa em João Pessoa, como logo o leitor descobre pelas referências visuais (uniformes escolares com o brasão do governo da Paraíba, por exemplo). Começamos acompanhando uma garotinha na escola, passamos por uma segunda história sobre um homem comum que mantém uma vida noturna mascarado e chegamos finalmente ao homem que decora a capa da HQ e que também dá nome a ela: Café.

Passei pelas primeiras duas histórias imaginando qual seria o gancho. Estranhei o fato de que não havia referência alguma a café na primeira história; a segunda, no entanto, traz a bebida como mote em alguns quadrinhos. Na terceira história surge um homem chamado Café e que conta histórias em troca de – pasmem – café e aí tudo faz mais sentido. O roteiro poderia muito bem acontecer de verdade, trazendo como pano de fundo a vida noturna e o triste contexto de violência e abusos sexuais que existe na maior parte das capitais nordestinas.

O traço de Gabriel é bom, os arcos são interessantes por si só e a sacada do final beira o genial; porém, o que realmente faz o sucesso da obra é o personagem Café. Ele representa uma figura familiar ao brasileiro que vive em cidades grandes, a do homem que perambula pelas ruas e conta histórias às pessoas em troca de comida ou bebida, tornando-se uma lenda viva. O personagem é bem construído, misterioso e pontua a história com a dose mais forte de fantasia que ela recebe. Sendo alguém que toma baldes e mais baldes de café o dia inteiro, nunca se sabe bem se a fantasia foi ou não derivada de uma história real. Um personagem misterioso e que poderia ser gancho para muito mais histórias na mesma linha.

Gabriel Jardim estreou muito bem como quadrinista e promete bastante. Se conseguir seguir essa linha própria, com um traço que mistura aspectos de quadrinhos japoneses e americanos, gerando um estilo próprio e que varia ao longo da HQ; se conseguir escrever com esse pano de fundo tão brasileiro, como por exemplo os irmãos Bá e Moon fazem com tanta maestria em Daytripper; enfim, se mantiver a linha que iniciou de forma tão promissora, com certeza Gabriel será em breve um nome conhecido e respeitado dos quadrinhos brasileiros. Como seu amigo de infância.

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