Resenha De Quadrinhos – Dom Casmurro
por Ragner
em 12/09/14

Nota:

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Meus anos escolares, como a de qualquer adolescente, foram envolvidos por literatura nacional de grande conteúdo, como se há de ser. Normal. Mas no meio de tanto livro encabeçados por Machado de Assis, Jorge Amado, Graciliano Ramos, José de Alencar, João Guimarães Rosa, entre outros, eu acabava lendo somente algumas páginas ou alguns resumos que encontrava já formatados pelos colegas ou mesmo liberados por alguns professores que, no intuito de apenas aguçar a curiosidade dos alunos, disponibilizam para a gente.

Machado de Assis sempre esteve evidente nas aulas de literatura e também entre os livros que eram cobrados para provas de vestibulares, mas eu nunca fui até o fim, vergonha para mim, que já confessei aqui algumas vezes. Mas nosso grande escritor figura entre os favoritos de nossa camarada Patrícia e já confirmou presença entre nossas resenhas. Dom Casmurro também já se fez presente aqui, mas de uma forma diferenciada e com um enredo que foi adaptado para juntar a história de Bentinho e Capitu com alienígenas que lutam pelo controle da Terra.

Essa, também, adaptação é trabalhada para os quadrinhos e entre os outros, quadrinhos, que expõem a literatura em ilustrações e que já foram resenhados aqui, posso dizer que a presente obra parece ter recebido uma atenção até maior, pois tudo aqui, desde os desenhos até todo o bônus que podemos ler no final, é melhor do que os demais.

 

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Para quem ainda não conhece a história, Bento Santiago, já velho, conta sobre sua vida e como conseguiu a alcunha de Dom Casmurro – introspectivo -. O protagonista vai narrando sobre quem foi, sua família, seu amor por Capitu desde jovem, sua ida ao seminário, como conheceu seu amigo Escobar, como conseguiu sair do seminário e se formar advogado, como se casou com Capitu e como tudo foi o levando à desconfiança de que seu melhor amigo poderia ser amante do seu grande amor.

Nesse volume podemos perceber que há um trabalho muito bem feito de acomodar todos os momentos importantes existentes no enredo criado por Machado de Assis e como a arte empregada ajuda muito na caracterização dos personagens, principalmente Capitu e seus olhos de “cigana oblíqua e dissimulada” e também na personificação do filho Ezequiel que em todo instante tem o rosto ora tampado por algum chapéu ora era desenhado de costas, o que dificulta a relevação para o leitor se a criança é fruto de adultério ou não. O que apenas é sugestionado a todo o momento sobre o menino, são os comentários de que é parecido, fisicamente ou mesmo por trejeitos, com o amigo Escobar. Mas não se há provas de nada e a dúvida paira no ar.

A obra machadiana interpretada em quadrinhos, conquista fácil pelos traços e argumentação que, acredito eu, é literariamente menos rebuscada do que do próprio criador. Meu desejo de lê-lo só aumenta a cada obra adaptada que conheço, pois se estou gostando delas, imagino o quanto posso gostar da original.

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