Resenha De Quadrinhos – Louco – Fuga
por Ragner
em 08/06/16

Nota:

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As Graphic Novels da Turma da Mônica são de uma excelência que, ao meu ver, exigem leitores apaixonados por quadrinhos dispostos a se libertarem de paradigmas que, talvez, saturam a nona arte. O Grupo Maurício de Souza ultrapassa as convenções que são naturais em suas revistinhas. Não são gibis para adultos, mas instigam o leitor comum da turminha, a ir além daquilo que estão acostumados. Cada Graphic Novel é um show à parte e como já vislumbramos muitas aqui, apresento hoje a do personagem mais fora da caixa que existe no universo do quarteto adorado por gerações: O Louco.

A arte é uma pintura. É linda, alegre, contagiante, empolgante, vibrante e qualquer outro adjetivo que chame atenção. Fiquei mesmo deslumbrado com o que via e lia. As ilustrações eram fantásticas e o argumento discursava sobre ações de coragem, heroísmo, desejos, sonhos, imaginação, escolhas, liberdade e claro: loucura. Tudo com um quê de filosofia e rebeldia. Sinceramente um trabalho visivelmente charmoso e deliciosamente gostoso de se ler.

 

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O Louco nos conta uma história dentro de outra história, onde existia um pássaro cantor que inspiravam poetas, músicos, inventores e amores pelo mundo a fora, até que um dia surgiram os guardiões do silêncio. Gigantes criados por um escritor, o criador da história em que os pássaros viviam livremente. Como o criador queria um desafio, algo antagonista ao canto libertário do pássaro, os guardiões foram inventados, mas esses trabalhavam tão bem, que todo ato de imaginação começou a se perder, foi aprisionado. O pássaro cantor foi preso e o mundo condenado ao silêncio.

Foi ai que o Louco apareceu para fazer a diferença. O Louco não é muito dado a questões lógicas e sua vida é um tanto nonsense. Para contar o que estava acontecendo ao seu redor e entender o que o enredo do criador queria dizer, ele próprio se intrometeu na história que contava e lutou para libertar o pássaro cantor. Misturando assim duas narrativas, a que ele contava e a que ele vivia.

Licurgo Orival Umbelino Cafiaspirino de Oliveira salvou o mundo. Esse é o nome do Louco. Nosso herói, sem limites e quase nada afeito a regras e convenções, enfrentou seus medos, correu atrás de seus sonhos e conseguiu libertar o pássaro, a ponto de fazer outras pessoas escutarem o canto mais lindo que já ouviu. Louco fez da fuga, um ato de fé, em relação ao que mais queria, a liberdade da imaginação.

Essa Graphic Novel segue um caminho diferente das outras, como não podia deixar de ser. Seu roteiro e arte são ímpares, sem tanto detalhe e explicação como as demais. Aqui tudo é mais solto e leve. O próprio Louco recebe um tratamento artístico diferenciado, com requintes surreais e um contato superficial e ao mesmo tempo lúdico com a turminha, detalhando singelamente as particularidades de cada um. Um trabalho que quero muito de ter em minha biblioteca. Vale demais a pena.

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