Resenha De Quadrinhos – Mônica – Força
por Ragner
em 14/12/16

Nota:

 

A nona arte merece aplausos. Trabalhos com artistas renomados, desconhecidos ou em ascensão sempre são lançados, independente do valor do artistas, em projetos que nos fazem acreditar no bem que essa arte faz para quem gosta de ler. Quadrinhos conseguem nos emocionar pelas ilustrações e também pelos argumentos que dão estrutura à enredos inovadores ou bastante conceituais. E é com grande segurança que afirmo que a coleção Graphic MSP garante um envolvimento bastante acertado em relação a tudo isso.

O grupo de Mauricio de Souza vem lançando grandes histórias em um projeto que já conquistou o pessoal do Poderoso e hoje trago para vocês o mais novo lançamento do selo MSP. Em Mônica – Força, podemos acompanhar o trabalho de Bianca Pinheiro, uma respeitada artista do universo online com sua webcomic (que eu não conhecia), e que teve seu trabalho reconhecido e escolhido para ganhar uma edição durante a FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos) de Belo Horizonte, no ano passado. Essa Graphic Novel é a 12ª da coleção e a primeira com uma história solo da personagem. Uma história que consegue mostrar a força da Mônica sem ela precisar apelar para coelhadas ou punhos.

Nossa heroína, aqui, é uma criança como outra qualquer, que tem seus amiguinhos, sofre com as gozações e não precisa entender os problemas e confusões do mundo adulto. A diferença dessa história para as demais que costumamos ler por décadas, escritas por Maurício de Souza, é que os pais da pequena Mônica ganham uma importância maior. O enredo gira em torno de um desentendimento entre eles e como isso é visto por uma inocente criança.

Mônica vê tudo como uma briga que vai ganhando proporções que ela não consegue entender e isso vai sugando suas forças, fazendo com que ela não tenha interesse por mais nada, não brigar mais com os meninos que insistem em caçoar dela e ficar cada vez mais confusa se essa briga dos pais pode ser culpa dela. E para fazer a história ficar ainda mais intensa e ganhar contornos mais família (discussões familiares e brigas entre pessoas que se amam ganham dimensões maiores com a ajuda de pequenas coisas que vão incomodando, cada vez mais, sem a devida percepção dos envolvidos). Quando Mônica decide arrumar o que os pais não conseguem, por não darem o braço a torcer, é que nossa pequena heroína demonstra sua verdadeira força e mostra o que deveria imperar em uma família.

A história é de uma simplicidade comovente. Relata-se os dias em que nossa querida Mônica acompanha as discussões dos pais e só enxerga as brigas que a deixam fraca e indefesa, sem alegria ou motivo para ser uma criança feliz. Com a inocência inerente a qualquer criança, ela ajuda a consertar o que estava danificado e faz com que seus pais parem de brigar e voltem a viverem felizes.

A Força aqui não tem nada a ver com a força física, dela, que estamos acostumados a acompanhar nos quadrinhos da turminha, mas sim com uma força capaz de transformas pessoas, uma força que une quem está brigado ou que possa mesmo fazer as pessoas entenderem como seus problemas são pequenos diante do que verdadeiramente importa quando há amor envolvido.

Assim como a Fuga do Louco, a Força é maravilhoso de se ler, com sua arte diferenciada, agradável esteticamente e com um enredo que nos faz pensar várias coisas que podem fazer mais parte de vida de qualquer pessoa do que simples histórias em quadrinhos. Assumo que nunca fui um amante dos quadrinhos da turminha, mas essa coleção tem enchido meus olhos.

 

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