Resenha De Quadrinhos – Snoopy – A Felicidade É Um Cobertor Quentinho
por Ragner
em 21/03/17

Nota:

 

Acredito que toda criança tem algum objeto que lhe faz deveras feliz. Alguma coisa que até seja seu porto seguro. Algum “trem” (como os mineiros dizem) que a faça feliz, até se sentir confiante para crescer, sem tanta dependência. Esse quadrinho do Snoopy nos trás uma história sobre o que nos torna feliz e também exageradamente dependente. No caso, uma história que retrata bem a tentativa de deixar de lado o que nos prende a um sentimento de quase submissão.

A turma do Charlie Brown é uma criação que penso ser bastante interessante. Vejo com um desenho diferenciado, sem ser exclusivamente infantil. Lembro que em um dos meus primeiros contatos com o desenho foi um episódio em que o Charlie Brown precisava fazer um trabalho de escola, para o qual teria que ler “Guerra E Paz”, um livro do escritor russo Leon Tolstoi. A Literatura Russa é conhecida por muitos clássicos e leitura nada suave. Depois do episódio que assisti, sempre fiquei com a percepção de que as história da turma, que tem o cachorrinho Snoopy como personagem principal em quase tudo que acontece…,não pode se tratar de um desenho comum. Uma animação também já concorreu ao Oscar e já passou por aqui.

A Felicidade É Um Cobertor Quentinho é o segundo (o primeiro já foi resenhado aqui) gibi que leio do criador de Snoopy. A narrativa já foi transformada em desenho – compartilhado no final da resenha – e, novamente, digo que o enredo não é composto por um clima totalmente infantil. O desenho é, muitas frases são, a sequência de acontecimento pode tranquilamente se passar por um entendimento infantil, mas tudo ali tem um sentido mais maduro. A ideia central de um dos protagonistas tentar se separar de seu cobertor é como uma metáfora que revela os esforços, muitas vezes frustrados, de um adulto para desapegar de algo que lhe é muito caro.

Linus, o melhor amigo do Charlie Brown, é viciado pelo seu cobertor de estimação, não o solta para nada e para todo e qualquer lugar que vá, precisa leva-lo. Existe um caso crônico de necessidade quase vital. E digo isso sem querer exagerar, já que o garoto não dorme direito ou consegue fazer qualquer outra coisa sem o objeto em mãos. Sua irmã, Lucy, se esforça para ajudá-lo, seja por horas ou dias, ela tenta esconder ou somente distancia Linus do cobertor. Enquanto isso, a vida da turma vai seguindo normal ou acaba sofrendo efeitos colaterais pelas crises do garoto dependente. Até mesmo o Snoopy acaba se metendo em confusão por causa do cobertor.

A felicidade do título, pode muito bem significar aquilo que nos acalma e mesmo confere algum tipo de agrado. Seja ele breve ou consistente, um consolo pontual ou um contínuo bem estar. Tudo isso significado por uma coisa, ou situação, ou alguém ou, até mesmo, a própria pessoa feliz consigo mesma. Atingindo um estágio que ela mesma garante aquilo que a deixa super bem.

Aristóteles dizia que “a felicidade é o fim último do homem”. Digo a vocês que por vários momentos concordo com tal afirmação. O grande problema é quando essa felicidade acaba atribulando a vida dos outros, aí o cobertor quentinho pode acabar se transformando em um tornado bagunçador, e talvez seja melhor mudarmos de foco ou fazer com que nossa felicidade abarque mais pessoas.

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