Revisitando – Ms. Marvel
por Gabriel
em 25/04/15

Nota:

Ms. Marvel

E vamos ao que deve ser o Revisitando mais rápido da história deste site! Peço desculpas, sei que vocês não esperam que fiquemos todos lendo a mesma coisa, mas ninguém mandou a Paty me emprestar exatamente o mesmo quadrinho que ela tinha acabado de ler. Vamos lá, portanto.

Ms. Marvel é mais uma obra que entra para o meu objetivo do ano, o de ler só coisas escritas por mulheres. Neste caso, a escritora é G. Willow Wilson, uma americana muçulmana que viveu no Egito por alguns anos. Sua obra anterior a Ms. Marvel parece bem interessante, tendo sido até mesmo indicada prêmio Eisner, a principal premiação dos quadrinhos.

Este é um quadrinho de super-herói, com todos os clichês de quadrinhos de super-heróis. No entanto, ao mesmo tempo, traz novidades que diferenciam a Ms. Marvel dos outros heróis tradicionais. Como a personagem principal é uma adolescente de 16 anos, a ideia me lembrou outros jovens heróis, como o Asa Noturna (personagem que surgiu nos quadrinhos da DC quando o primeiro Robin deixou de ser parceiro do Batman) ou os Novos Titãs (um grupo de super-heróis, também da DC, que era formado apenas por personagens mais jovens). O curioso é que todos os exemplos que me vieram à mente vêm da DC Comics, a eterna inimiga da Marvel. Esta é uma seara em que a editora não me parece ter muita experiência.

Kamala Khan não é só uma adolescente, é também muçulmana. E o retrato da família paquistanesa em que ela vive é muito fiel ao que li em livros de não-ficção sobre estas tradições, obviamente devido à experiência de vida da autora. Alguns traços de personalidade de seus pais são perturbadoramente próximos ao que li em obras como Sem Minha Filha Não Vou ou Desonrada. E isso me incomodou, pois em meio ao estilo um tanto caricato e bem-humorado da HQ estão as mesmas características patriarcais e machistas dessa cultura: Kamala tem sua liberdade completamente cerceada enquanto seu irmão vive como quer; seu pai toma sempre a frente de sua mãe, que por sua vez vive amargurada. Existe todo um pano de fundo desse dilema muçulmano, mas isso não é abordado neste primeiro volume de Ms. Marvel.

E como os problemas familiares de Kamala são mostrados como apenas um pano de fundo, é contra inimigos reais que ela vai ter suas batalhas. Este é um quadrinho que evita se levar a sério demais, com uma super-heroína que se estica e cresce e que luta contra um inimigo vestido com “roupas dos anos 80” (segundo ela mesma) e uma camiseta em que se lê “eu sou um cara mal”. Isso dá um tom descontraído à HQ, que nunca realmente fica tensa. Me parece o tom ideal para uma HQ para adolescentes, provavelmente o público-alvo da obra.

Ms. Marvel é uma HQ legal, bem intencionada. Considerando seu público-alvo os adolescentes, tanto os muçulmanos tentando se adaptar a outras culturas quanto os ocidentais que têm amigos muçulmanos, ela provavelmente surtirá o efeito de aproximar os dois mundos. Acho que alguns aspectos mereciam ser melhor explorados, mas talvez Wilson aborde isso ao longo de episódios futuros, já que ao menos a autora teve a coragem de mostrar esses aspectos e não varre-los para debaixo do tapete. Veremos. Quem puder por as mãos nessa HQ, vá em frente!

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