Terça De Quadrinhos – Sarajevo
por Ragner
em 08/01/13

joesaccosaravejo

Contextos reais chamam muito a atenção. Sou fã de acontecimentos verossímeis que são trabalhados em formato de arte. De alguma forma trazem ensinamentos mais lúdicos ou mesmo, passeiam por enredos que ajudam a despertar algum interesse de maneira menos formal.

Não vou arriscar uma introdução detalhada sobre a história de Sarajevo. Mas é interessante saber que se trata da cidade onde foi assassinado Francisco Ferdinando – arquiduque austro-húngaro – uma das causas da 1ª Guerra Mundial e que também é a capital da Bósnia e Herzegovina, que surgiu como república depois da desintegração da Iugoslávia. ESSA separação aconteceu depois de uma guerra, dividindo etnias e formando Estados independentes durante a década de 90. Política e religião causaram muita destruição na região, e, no caso em questão, deixando Sarajevo, entre outras cidades, completamente destruída. A HQ conta por alto a história da guerra e parte de um relato de um personagem fictício – Neven – que serve como guia para um jornalista. Mas são as lembranças de Neven que protagonizam os quadrinhos.

Neven acompanha o jornalista por lugares que o visitante não ousaria ir sozinho. Além de guia, Neven é ex combatente que viu muita gente morrer durante a guerra na Bósnia. Durante as andanças, histórias sobre como a vida era antes e depois da guerra, tomam espaço, nos apresentando personagens que eram líderes, que eram amigos, que serviram como influência e que participavam de alguns grupos de guerrilha.

Tal Graphic Novel não explica os pormenores dos conflitos e não serve exatamente como uma aula de história sobre a guerra da Bósnia, mas podemos ter uma clara visão de como a guerra só destrói e em nada melhora a vida de alguém, quem quer que seja. Os desenhos tem um ar até sujo em alguns momentos, pesado, deixando mais transparente ainda o horror em que os cidadãos e turistas eram obrigados a compartilhar dia após dia.

Quando vi pela 1ª vez esse gibi, lembrei de prima da música em que o U2 canta com o Pavarotti – Miss Sarajevo

Não posso deixar de constar que ganhei de presente da camarada Patrícia. SHOW DE BOLA. Ler e escutar a música, juntos, causam um certo ar triste…

Os desenhos seguem muito um caminho que interpreta as emoções de cada personagem, fazendo os mais sérios, cômicos, amedrontados, superficiais, submissos, heróis. Os traços caracterizam muito bem os destalhes também. Closes, quadros, ângulos e mesmo a ilustração sendo preto e branco, contribui para criar um clima que caracteriza Sarajevo ainda em clima “cinzento” bem depois da guerra e ajuda muito no desenvolvimento do argumento da obra.

Esse é um trabalho que gostei muito de ler, de ter em mãos um retrato meio que literal de uma realidade longe do meu cotidiano. A obra segue uma linha diferente de outros muitos que já li. O fato de ser um quadrinho jornalístico já gera toda uma diferença e o autor consegue criar uma atmosfera bem interessante. Vale muito a pena…

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1 Comentário em “Terça De Quadrinhos – Sarajevo”


A Insustentável Leveza do Ser – Por Carla Fagundes « Revista Fato! em 15.10.2014 às 16:01 Responder

[…] coisas e o caminho por onde seguirão. Esta situação, retratada em obras como Persépolis ou Sarajevo, é a mesma em que vivem os personagens de A Insustentável Leveza do Ser. A política permeia suas […]


 

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