Resenha – 1932: São Paulo em chamas
por Patricia
em 07/07/21

Nota:

Nove de julho é feriado em São Paulo. Anualmente, o Estado pára para “celebrar” a Revolução Constitucionalista de 1932 em que o Estado se levantou contra o Governo Getúlio Vargas proclamando que era contra a Ditadura e a favor de novas eleições e uma nova Constituição no país.

Tendo estudado um pouco disso no 2o grau, confesso que há anos faço uma piadinha ridícula de não entender porque São Paulo celebra uma revolução que perdeu. Mesmo que tenham conseguido durar quase 3 meses, as forças rebeldes foram abafadas pelo Governo Federal. Para lembrar o que claramente eu devia ter estudado mais, li esta obra do jornalista Luiz Octavio de Lima que busca mostrar a comoção vivida na época.

Em 1930, Vargas depôs o então Presidente Washington Luís e tomou o poder. Cansado da política café com leite (em que MG e SP alternavam o poder federal do país), o gaúcho resolveu que ele mesmo assumiria o Governo derrubando a possa do “eleito” Júlio Prestes. Esperando que Vargas reorganizasse eleições, o Governo paulista esperou e, em 32, ficou claro que isso não aconteceria.

A oposição começou então a se organizar e no dia 23 de maio a primeira manifestação anti-Vargas aconteceu com forte repressão policial que causou a morte de quatro manifestantes: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo. Nascia o movimento MMDC, planejado pelas elites paulistanas mas que, rapidamente, tomou conta do Estado todo atraindo estudantes, trabalhadores e militares a se unirem à causa montando um exército que marcharia até o Rio de Janeiro (a Capital Federal) com as demandas do movimento.

A proposta da obra de Lima é contextualizar essa rebelião e mostrar como a mobilização aconteceu. A pesquisa do autor rende histórias boas como a do jogador Arhtur Friedenreich, maior jogador de futebol de sua época, que não apenas se voluntariou para o exército paulista como também levou seus prêmios para que fossem derretidos e convertidos a equipamentos para a tropa. Ou ainda, a história de Maria José Bezerra que se alistou como enfermeira e passando-se por homem, conseguiu uma farda e montou um regimento de negros e índios no interior do Estado. Ela acabou ferida em batalha, descobriram que era mulher e, duas semanas depois, estava de volta ao front.

Mesmo com personagens heroicos, os 35 mil soldados de São Paulo não foram páreos para os mais de 100.000 soldados federais. Depois de quase 90 dias, tudo estava acabado. Vargas ficaria na “Presidência” por quase 15 anos.

Apesar de levemente arrastado, o livro quebrou alguns pré-conceitos que eu tinha sobre o que aconteceu naquele ano e mostrou, acima de tudo, a força do Governo Federal. A leitura flui bem e a organização cronológica ajuda ainda mais a entender como tudo escalou e deu no que deu. Também agrega muito ao Brasil como conhecemos hoje, o papel das Forças Armadas no poder desde sempre e como seguimos esperando um “pai salvador” para o país.

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