Resenha – 1984 (quadrinhos)
por Juliana Costa Cunha
em 12/08/21

Nota:

Em 1949 George Orwell, lançou um de seus livros mais aclamados. Criando um cenário distópico e uma história que se passa no ano de 1984, Orwell se insere no roll dos autores que serão sempre lembrados por seu ineditismo. O livro hoje é um grande clássico mundial e em 2020 passou a domínio público, o que vem permitindo um sem número de novas edições. Principalmente porque 1984 é uma obra que dialoga muito com questões contemporâneas, trazendo a tona muitos debates e reflexões.

Orweel criou uma sociedade que vive em constante guerra com outros países, comandada pelo Grande Irmão. Os inimigos do sistema. Os cidadãos dessa sociedade vivem em constante vigilância, através das teletelas das quais não escapam nenhum pensamento ou comportamento desviante e que possa colocar em risco o sistema.

Cada desvio é punido, muitas vezes com a própria vida, pela polícia do pensar. Todos os pensamentos e notícias são constantemente criadas e recriadas de acordo com a necessidade de manutenção do sistema. Dessa forma há um constante apagamento do passado. Na narrativa o que encontramos é uma sociedade totalitária que se pauta no controle de ações, comportamentos e linguagem de seus habitantes (Opa! Percebem alguma relação com nossa atualidade?).

A história de 1984 já deve ser conhecida da imensa maioria das leitoras e leitores no mundo. Pensar em inscrever esta obra em outro gênero literário é um desafio e também a abertura para o acesso de um novo público a ela. Assim, 1984 em quadrinhos vem ocupar esse lugar.

A obra foi adaptada do original e ilustrada pelo conceituado quadrinista brasileiro Fido Nesti. Nos traços de Nesti, a escrita de Orwell ganha rostos, expressões e contornos bem expressivos. Utilizando uma paleta de cores entre o cinza e o vermelho, Nesti consegue nos inserir na narrativa sombria e distópica criada por Orwell. O resultado é bastante real e angustiante. Como também já li a obra de Orwell posso afirmar que o quadrinho não deixa a desejar, no que diz respeito ao conteúdo. Quem não leu o livro, acessando o quadrinho terá a percepção completa do que Orwell escreveu.

A edição da Companhia das letras é bem completa incluindo, inclusive, um apêndice sobre a novafala, língua oficial criada pelo Grande Irmão e falada no regime totalitário da Oceânia. É um grande livro. E agora temos um grande quadrinho sobre ele.

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Livro enviado pela editora

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