Resenha – 1Q84
por Patricia
em 01/07/13

Nota:

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Muita gente está falando bem do Murakami. Não necessariamente desse livro, mas dele como autor – que o cara é um gênio, que os livros dele são fantásticos, que ele escreve maravilhosamente bem e enfim…minha orelha estava coçando e resolvi me jogar em 1Q84 até por conhecer muito pouco da literatura japonesa e nunca ter lido nada do autor.

1Q84 nos apresenta duas histórias contadas em paralelo: a de Aomame e Tengo. Aomame (um nome que significa ervilha verde e ela odeia) é professora de artes marciais e também trabalha nas horas vagas como assassina de aluguel (parece que é difícil ser professor em qualquer lugar do mundo…¬¬) e Tengo é professor de matemática e deseja se tornar escritor (Ragner….é você? :D).

Não vou nem comentar o quanto eu já adorei esse livro no começo pelas profissões dos dois personagens principais: assassina e escritora são duas das minhas profissões dos sonhos – claro que, como assassina eu teria que me especializar (o mercado exige isso hoje em dia) e eu iria para um nicho…assassinando só políticos de certas estirpes, por exemplo…enfim, a definir. Mas vocês entenderam a questão. 😉

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E se você não gostou de Aomame saiba que ela só mata homens responsáveis por casos de violência doméstica, aqueles que, na machista sociedade japonesa, não têm vergonha do que fazem – inclusive sua primeira vítima é um homem que espancou sua esposa em público no clube.  Já tá amando ela? Pois eu senti um amor tarantinesco. Aos poucos, vamos conhecendo mais sobre seu passado e como ela se tornou uma “vingadora”. Esses capítulos especificamente, têm um tom “O homem que não amavam as mulheres” por citar crimes contra mulheres que ocorrem no Japão e ninguém poderia imaginar, pelo menos no começo. Mas a cada virar de página, o foco se vira para o passado de Aomame.

Tengo está vivendo um dilema: um amigo seu que é editor, pede que ele o ajude a reescrever uma história submetida para um concurso. A história tem potencial mas é mal escrita. A autora – uma jovem de 17 anos – não tem qualquer tipo de ambição e concorda com a revisão da sua história. O dilema de Tengo é que isso não é ético de nenhuma maneira mas ele está realmente intrigado com o que pode fazer com essa história.

Aomame precisa se esforçar para fazer coisas normais para as outras pessoas – como ter amigos – porque ela já sofreu alguns traumas em sua vida que a levaram a criar  barreiras para os demais. Tengo está empacado em seu livro e em seu dilema mas, quando cede, percebe que refazer um livro alheio pode, de fato, ajudá-lo a escrever seu próprio.

Algumas passagens parecem estar ali meio jogadas: isso me incomodou um pouco porque pode tornar a leitura bem cansativa em determinados momentos. Além disso, o enredo tem passagens do passado e do presente, tudo misturado e isso pode não só causar confusão como também se tornar cansativo. Na maior parte do tempo, no entanto, esses flashbacks nos ajudam a entender como tanto Aomame quanto Tengo se tornaram o que são hoje.

O enredo vai ficando encorpado e as tramas começam a mostrar sinais de que vão se entrelaçar. Por ser o primeiro volume de uma trilogia, o fim do livro deixa o leitor na expectativa para o que vai acontecer. Murakami faz isso muito bem: monta uma história que parece completa e, de repente, você percebe que não está completa ainda. É uma caxinha de supressa. (Apesar de eu ainda estar meio em cima do muro com o povo pequenino).

Um bom primeiro volume que construiu a expectativa para o segundo. Não estou morrendo de amores ainda, mas estou curiosa e quero saber mais e isso já é um ponto para o autor.

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4 Comentários em “Resenha – 1Q84”


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SUZana em 06.08.2013 às 22:48 Responder

Ola Paty.
Li avidamente os volumes 1 e 2.
E agora, falta o 3.
Não vejo a hora de ler …

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Paty em 07.08.2013 às 07:38 Responder

Oi Suzana, gostou mais de qual até agora?
=)

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Gabriel em 05.06.2014 às 19:43 Responder

Olha, essa resenha está bem mais otimista do que o seu comentário ao vivo. Hahaha, vou fazer o meu Revisitando e partir depois pro segundo volume 😉

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Paty em 05.06.2014 às 19:45 Responder

Eu não diria BEM mais…mas a verdade é que eu tenho interesse em ler os outros dois, mas não estou tentada a fazer isso por enquanto. hahahahha…entendeu? E é aquilo…gostei de quase tudo até…o povo pequenino. 🙁


 

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