Resenha – A bússola de ouro
por Patricia
em 06/05/13

Nota:

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Esse é um livro difícil de resumir, mas vamos ver o que sai…

A história gira em torno de Lyra: uma órfã de 11 anos que vive na Universidade de Oxford sob a proteção do Reitor. De vez em quando ela assiste uma aula mas, no geral, sua vida consiste de se divertir com seus amigos e, de vez em quando, receber a visita de seu tio Lorde Asriel – um homem frio, mas brilhante.

Lyra e Pantalaimon – seu dimon – se metem em todo tipo de encrenca e na maior de todas, acabam se envolvendo em uma aventura impensável que inclui mundos paralelos e criaturas formidáveis. Há algum tempo, crianças andam sumindo sem explicação e as histórias sobre esses sumiços têm diversas versões. Os sequestradores recebem o apelido de Gobblers. Ninguém sabe quando os Gobblers vão agir ou como eles escolhem as crianças e nem para que eles as usam. Lyra percebe que seu amigo Roger sumiu e tem absoluta certeza que ele foi vítima dos Gobblers. Ela quer sair para procurá-lo mas sua vida toma uma guinada diferente. Ela é apresentada à Sra. Coulter que a convida a ser sua assistente. Encantada com a mulher que é linda, inteligente e referência em seu campo, ela parte para Londres.

A Sra. Coulter pretende partir para o Norte – sim, Poló Norte – para estudar uma substância que Lyra sabe que chamam de “pó”. É tudo muito obscuro, mas logo ela descobre que ninguém é quem ela acredita que seja e o pó está, de fato, no centro de tudo. Ela recebe do Reitor um aletiômetro – um tipo de bússola que sempre diz a verdade, mas através de códigos que devem ser lidos e interpretados pela pessoa certa. E ainda temos ursos mercenários com uma estrutura própria de poder, feiticeiras com consulados, povos da terra e do mar, adivinhos, viagens de balão e tudo o mais que uma imaginação fértil permitir. A criança em mim vibrava cada vez que uma criatura nova aparecia.

E é justamente essa combinação que vai levar Lyra a seu destino. O povo gípcio (que eu diria que são ciganos do mar – até porque a palavra me lembra gipsy) decide resgatar as crianças sequestradas pelos Gobblers. Claro, precisam de ajuda. Precisam de alguém, ou alguma coisa, que seja tão poderosa quanto a magia estranha dos Gobblers. Entra em cena Iorek, um urso de armadura que foi renegado pelo seu povo por ter matado outro urso. Iorek é uma criação ótima e dá a força que a história precisava para subir um nível.

Iorek-Byrnison

Juntos, eles partem ao Norte para descobrirem muito sobre si mesmos, sobre a vida e sobre o Universo. Não vou mais falar sobre a história porque daqui para acabar soltando algum spoiler é um passo já que tudo se torna intricado e todos esses personagens convergem de maneira épica.

Uma das coisas que mais gostei do estilo de Pullman é que ele não te entrega nada mastigado. Os dimons, por exemplo, aparecem desde o começo e se você quer saber o que eles são, deve continuar lendo e se aprofundando na história. É assim que ele vai nos prendendo nessa aventura incrível e de tirar o fôlego.

Aliás, os dimons são um estudo filosófico à parte. Eles são uma manifestação da alma da pessoa em forma de animal (e, em inglês, a palavra é lida da mesma maneira que demônios). Para crianças, eles vão mudando e assumem sua forma final apenas quando se tornam adultos. Eles estão sempre próximos de seus humanos e, sem eles, as pessoas se sentem vazias, como zumbis. É realmente interessante pensar que quem você é de verdade poderia estar tão visível para todas as pessoas. Sim, porque eles assumem exatamente a forma do animal que reflete a personalidade e a alma de seu dono. Por exemplo, Lorde Asriel tem uma pantera como dimon. A Sra. Coulter, um macaco.

Fico pensando como as pessoas agiriam se suas personalidades verdadeiras estivessem disponíveis para qualquer um ver. Acho que veríamos muitas crises de identidade por aí.

Além disso, a interpretação da história tem diversos níveis, como as interpretações do aletiômetro. Pode ser apenas uma história de aventura e fantasia, mas também pode ser uma bela metáfora para forças do bem e do mal se digladiando para compreender as passagens bíblicas, o poder da Igreja, o Pecado Original e assuntos existenciais cada vez mais complicados pela capacidade humana em seu desejo de poder e destruição.

Um excelente livro para qualquer idade e que promete continuar surpreendendo a cada página. Leia ontem!

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6 Comentários em “Resenha – A bússola de ouro”


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Roberta Spindler em 06.05.2013 às 10:06 Responder

Um dos meus livros favoritos, sem dúvida! A Saga Fronteiras do Universo me encantou desde a primeira página. E os próximos volumes são ainda melhores! Realmente, uma leitura recomendada para todos aqueles que amam fantasia. =)

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Paty em 06.05.2013 às 10:08 Responder

Eu vou correr para ler os outros dois ainda esse ano! Esse primeiro me deu a sensação de que eu vou terminar e ficar me lamentando por só ter 3 livros. 🙁
Mas mesmo assim…é empolgante demais! Acho que um dos melhores livros de fantasia que já li.

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higor goncalves em 18.05.2015 às 20:35 Responder

muito bom esse resumo merece o meu respeito parabens cara!!

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higor goncalves em 18.05.2015 às 20:36 Responder

muito foda vc patricia

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Patricia em 18.05.2015 às 21:10 Responder

hahaha…poxa, obrigada pela visita e pelos comentários. 😀 Depois me conte o que achou do livro (se o leu). 🙂

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Helber Junior em 22.08.2016 às 06:59 Responder

Parabéns,gostei muito do resumo e também li o livro, a semelhança entre ambos é evidência.


 

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