Resenha – A Cabeça do Santo
por Gabriel
em 14/03/15

Nota:

A Cabeça do Santo

Socorro Acioli é uma autora cearense que já chegou a participar de uma oficina com Gabriel García Márquez em Cuba e publicou alguns livros. O primeiro que li foi “A Cabeça do Santo”, vindo da biblioteca pessoal da Paty.

A Cabeça do Santo é uma obra ambientada no sertão do Nordeste. Para quem já esteve lá ou pelo menos assistiu a O Auto da Compadecida, os cenários e as personalidades são muito familiares. A autora retrata com muita exatidão o perfil das pessoas das cidades pequenas e quase abandonadas do agreste.

O personagem principal chega à minúscula cidade de Candeia vindo de uma viagem de quilômetros a pé, procurando seu pai. Sua mãe morreu e ele agora é um ser sozinho no mundo. A chegada na cidade não é nada acolhedora e ele passa a primeira noite em uma caverna.

No dia seguinte, Samuel descobre que a caverna na verdade era uma cabeça de santo, um santo como o que existe em Juazeiro do Norte retratando Padre Cícero:

Padre CíceroMas não é só isso que Samuel descobre. Ele também acorda ouvindo vozes de mulheres pedindo por casamentos ao santo, que percebe ser Santo Antônio. A partir daí, sua tranquilidade na tal caverna vai ficando cada vez menor a medida que a cidade começa a ve-lo como um profeta e os interesses dos poderosos, que mantinham a cidade de Candeia na miséria, começam a ser afetados.

A autora é muito criativa e explora as particularidades do Nordeste e deste cenário de cidades pequenas, quase abandonadas, como poucos. Para quem vive em grandes cidades, é uma viagem bem vinda e que mostra uma realidade totalmente distinta. Além disso, os personagens são bem construídos em sua simplicidade e conquistam o leitor, que consome totalmente este livro em pouco tempo.

Socorro Acioli mostrou ser uma escritora de muita qualidade com esta obra, que talvez merecesse até mais atenção dos leitores brasileiros. A obra também tem um claro apelo cinematográfico ou no mínimo para as telinhas, o que seria bem interessante de se ver. Em uma esteira que parece pegar um pouco das experiências de Ariano Suassuna e Jorge Amado, Socorro descreve bem o mundo próprio do sertão. Recomendado a qualquer ser humano.

PS: Continuo só lendo mulheres este ano e o resultado não podia ser melhor. Estou descobrindo obras ótimas!

 

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