Resenha – A festa do divórcio
por Patricia
em 06/10/14

Nota:

Unknown

Comprei “A festa do divorcio” por dois motivos: estava barato e tinha um bolo na capa. Fim. Claramente ninguém precisa trabalhar muito nas editoras para me vender um livro. Devo ser a cliente perfeita para várias livrarias – a pessoa doida que compra um livro porque tem um bolo na capa. Enfim, fico honrada, a Mastercard fica honrada, a vida segue em frente e eu continuo precisando de um segundo emprego.

E sobre o que fala “A festa do divorcio”?, vocês perguntam. E eu respondo, sobre a festa de um casal que esta se divorciando. Surpresa! Não sei o que vocês esperavam, de verdade.

Gwin e Thomas decidiram se separar depois de 35 anos de casamento e dois filhos. Na verdade, Thomas decidiu que estava na hora já que seu apego ao budismo fazia com que se afastasse da família. Ele sentia que sua vida espiritual estava lhe mostrando um caminho diferente. Em uma tentativa de passar por essa fase traumática da maneira mais fácil possível, eles decidem – e os livros de auto ajuda indicam – que uma festa de divórcio é uma boa idéia. Os filhos estão crescidos, a maior parte da vida já ficou para trás, por que não?

O dia da festa também vai marcar um outro momento na vida familiar: Nate – o filho mais velho do casal – decide aproveitar a festa para apresentar sua noiva – Maggie – aos pais. Ou seja, o foco do livro gira em torno de dois casais em duas fases totalmente diferentes do relacionamento: um chegado ao fim e o outro prestes a entrar na fase adulta.

Claro que esse papo de “virei budista, vamos nos separar” não é a total realidade e Gwin rapidamente descobre a verdade. Os filhos não parecem lidar muito bem com a decisão mas a acatam porque não têm muita opção, de qualquer forma. E nisso, o livro vai nos levando a um debate sobre relacionamento e seus entraves, as dores e os bolos. É um enredo simples ainda que cheio de fatos novos que vão surgindo ao longo do caminho.

Os capítulos são totalmente focados nas duas mulheres: Gwin e Maggie e só contamos com seus pontos de vista. Ambas descobrem que seus parceiros escondem coisas importantes por motivos diferentes. Cada uma reage de uma maneira também, mas a questão central é o que fazer quando as coisas não saem perfeitas. E, mais, se é possível esperar perfeição de relacionamento que conta, claro, com pessoas imperfeitas.

Me lembrou uma cena de “A mexicana” – filme com Julia Roberts e Brad Pitt (meninas, o filme é mais ou menos…mas né, Brad Pitt) em que estão os dois conversando sobre quando um casal deve deixar de tentar mesmo ainda se gostando. Chegam a conclusão que a resposta é nunca. Mas como a vida não é um filme, nem um chick lit aprovado pela Oprah, essa uma conclusão que às vezes pode trazer mais dor de cabeça do que alegria.

A escrita de Laura Dave é leve e flui bem. Ela é uma boa escritora, nota-se com clareza. Talvez por ser um livro relativamente curto (não chega a 300 páginas) e, consequentemente, não ir muito à fundo na questão psicológica que cada mulher passa em seu relacionamento, senti que é tudo muito na superfície; que havia muito mais a ser explorado sobre o tema relacionamento. A temática é interessante, a autora criou boas personagens, mas tirei uma dose de café porque eu queria mais profundidade. Ainda mais quando falamos de coisas que são comuns a todos nós (o começo e o fim de relacionamentos).

Bom livro, leitura rápida, mas não encontrei lições de vida.

Postado em: Resenhas
Tags: , ,

Nenhum comentário em “Resenha – A festa do divórcio”


 

Comentar