Resenha – A Ilha
por Thiago
em 20/09/17

Nota:

 

A Ilha, de Aldous Huxley, é o último livro do autor inglês, publicado em novembro de 1963, logo depois de sua morte. Para quem não está familiarizado com o autor, vale dizer que ele é um dos mais importantes nomes da “ficção científica-política”, tendo como sua obra mais famosa o livro “Admirável mundo novo”, uma utopia, assim como “A ilha”. Huxley ficou muito conhecido por tal gênero, assim como por seu entusiasmo no uso do LSD para acelerar processos criativos.

Para aqueles que já estão acostumados com o autor, não esperem encontrar uma obra na mesma linha de “Admirável mundo novo”, não é uma obra prima, mas a proposta é extremamente interessante.

Aqui somos apresentados ao jornalista Will Farnaby, que após sofrer um naufrágio, vai parar “acidentalmente” na costa da ilha de Pala, onde certas utopias encontram a realidade daquela comunidade meio budista meio socialista que o acolhe tão bem. Entretanto Farnaby não está ali por acaso, ele foi mandado por seu chefe como um espião e intermediário de um tipo de negocioação/aconselhamento.

A ilha vai na contramão do consumismo e do progresso tecnológico sem propósito. Tais propostas foram implantadas na comunidade duas gerações atrás por um líder espiritual chamado Rajá e um médico e cientista escocês. Os habitantes da ilha seguem uma cartilha escrita por estes pioneiros que mistura ocidente e oriente, com técnicas de meditação, uma espécie de yoga sexual e drogas naturais para alcançar a autoconsciência. Entretanto, Pala é uma fonte de petróleo e cobiçada pelo estado vizinho, um país ligado a modernidades tecnológicas e ao consumo.

Nesta obra temos uma síntese do pensamento do autor, como se fosse seu grande legado pra humanidade. Esta utopia é uma analise social incrível, onde somos apresentados a uma sociedade alternativa em meio a um mundo tradicional. Ler esse livro foi uma experiência incrível, antes apenas tinha lido “Admirável mundo novo” do autor, a editora Globo, através do selo Biblioteca azul, reeditou todas as suas obras, obrigado Globo por isso.

A ilha traz temas que me incomodam desde a adolescência, mas na fase adulta cada vez me perturbam mais. No caso a relação entre sociedade e consumo, entre o papel do estado e da comunidade na vida individual dos seus cidadãos. Pala é a sociedade que demonstra as crenças do autor, onde apresenta suas influências e aqui são várias, o que torna o livro extremamente rico e de difícil leitura. A ilha, para ser entendida em sua completude, demanda maturidade, certos conhecimentos prévios e acima de tudo, um coração aberto; caso tenha essas características terá a oportunidade de conhecer um autor em seu máximo, um autor pronto, afinal esta obra foi escrita em 62 e publicada logo após a morte de Aldous no fim de 63.

Livros assim são oportunidades muito raras.

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O livro foi enviado pela editora. 

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