Resenha – A mão e a luva
por Patricia
em 16/06/14

Nota:

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Mais um livro lido para o Desafio Literário do Tigre!! Esse mês o tema é ‘autor preferido’. Resolvi juntar esse ao tema do Poderoso do Mês da Literatura Nacional e ir com o fantástico Machado de Assis (gênio, crânio, magnânimo). Sou time Brás Cubas há muito tempo e tenho essa coleção da Globo de livros do autor também há muitos anos, mas não criei vergonha na cara de ler todos ainda. Aos poucos, vou corrigindo esse equívoco.

Peguei A mão e a luva por acaso. Simplesmente puxei um livro do autor para ler e esse seria o resenhado. Temos que viver perigosamente, afinal. 😉

A mão e a luva começa por nos apresentar Estevão e Luis Alves. Estevão, romântico incorrigível pretende se matar porque Guiomar não responde aos seus desejos de namorá-la. Luis Alves tenta dissuadí-lo de tamanha besteira. Passam-se dois anos e Estevão volta de São Paulo para o Rio como bacharel em Direito e pronto para exercer a advocacia com o amigo. Parece que a viagem foi primordial para que Estevão superasse a dor de cotovelo.

Ele reencontrará Guiomar sem pretensão nenhuma quando descobre que ela está morando com a baronesa vizinha de Luis Alves. Só que os sentimentos voltam à tona. “Havia talvez debaixo da cinza uma faísca, uma só, e essa bastava a repetir a incêndio.”  Mas é óbvio que em uma história de Machado de Assis as coisas não seriam simples assim. Pois que Estevão descobre que Luis Alves, aprendiz de político, também já havia se enamorado de Guiomar – apesar de dizer que já havia passado, rapidamente aprendemos que isso não é verdade. E mesmo se fosse, claro que Machado não deixaria isso aí simples assim. Afinal, dois amigos apaixonados pela mesma mulher é só o começo.

Um terceiro pretendente aparece. Entre em cena Jorge – sobrinho da baronesa e um vagabundo profissional, ainda que um homem amável. Apesar de não nutrir pela moça nem um terço do que Estevão parece sentir, ele finge o suficiente (não sei se acreditei que ele realmente gostasse de Guiomar) para garantir que a baronesa considere um casamento. É a partir daqui que os três vão se enrolar na trama e Guiomar ficará ali, nariz empinado a escolher o vencedor.

Muito se pode dizer sobre Guiomar, mas aprendemos rapidamente que ela era, no fundo, uma mocinha interesseira que desejava nada mais do que ser objeto de admiração e ascender socialmente. “Ela queria um homem que, ao pé de um coração juvenil e capaz de amar, sentisse dentro de si a força bastante para subi-lá aonde a vissem todos os olhos.” Quem nuncaNo fim, ela escolheu entre seus três pretendentes da mesma maneira fria com que recebia as declarações: de maneira fria e racional.

Machado conversa com o leitor o tempo todo nesse livro. É um estilo divertido, que ajuda a equilibrar o português um tanto rebuscado e cheio de palavras que não usamos mais (porém, é realmente engraçado ler que Machado de Assis usava palavras como “lambisgóia”). Em certos momentos, eles entrega ao leitor aquilo que só um narrador onipresente pode explicar. Em outros, ele diz também não saber o que se passa com certo personagem. Então ao leitor também são reservadas algumas surpresas ao longo do caminho.

Eu fico um tempo ser ler Machado e quase me esqueço de como é bom ler um livro de alguém que escreve de maneira tão simples (no ainda que tão complexa. Não sei explicar o paradoxo que Machado representa para mim, de verdade. Diria que é uma harmonia quase perfeita entre vocabulários insanos e enredos leves. Decerto que esse livro é um ótimo exemplar da fase romântica do autor. A mão e a luva não é um livro difícil de ler, mas é claro que é importante tirar um tempo para acostumar-se com a maneira como ele coloca as coisas e com o vocabulário que é, sim, daqueles de outros tempos. No fim, a essência da história é clara. Li o livro em um dia, ainda que parando de vez em quando para voltar ao mundo real.

O melhor de ler Machado é ser automaticamente transportada para outra época. Para quem nunca leu nada do autor e tem certo receio, talvez este livro seja uma boa opção para o pontapé inicial. Se falarmos de livros e autores que devem constar na sua estante pelo menos uma vez, Machado com certeza é um dos brasileiros que mais merece essa honra.

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2 Comentários em “Resenha – A mão e a luva”


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Arthur em 19.01.2015 às 22:55 Responder

Parece ser legal.

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Angela em 10.09.2016 às 00:31 Responder

Achei a leitura
Difícil logo nas 3 página e não conseguir continuar kkkkk!


 

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