Resenha – A Menina que Brincava com Fogo
por Gabriel
em 03/05/14

Nota:

A Menina que Brincava com Fogo

Este é o segundo volume da trilogia Millennium, da qual já falei anteriormente. Apesar de referências que o autor coloca para facilitar a ligação com o volume anterior, apreciar este livro depende muito da leitura do primeiro número, Os Homens que Não Amavam as Mulheres. Isto porque aqui voltaremos ao mesmo universo, a alguns dos mesmos personagens e a fatos que decorrem do que aconteceu em seu antecessor.

A Menina que Brincava com Fogo segue a mesma organização do primeiro volume da trilogia, com o ponto de vista de diversos personagens sendo apresentado capítulo a capítulo e com uma estrutura baseada em datas. Novos personagens são introduzidos e ganham importantes papéis, mas o foco principal continua com Mikael Blomkvist, Lisbeth Salander, Erika Berger e a redação da revista Millennium. A edição brasileira da Companhia das Letras segue o mesmo padrão visual, com elaborada arte de capa e formato que facilita a leitura do volume (o que não é tão simples dadas suas 600 páginas).

A estória contada nesta obra parte do ponto em que termina Os Homens que Não Amavam as Mulheres. A primeira obra sobreviveria razoavelmente bem sem sequências, mas este não é o caso deste livro. Claramente temos em mãos um livro que fica entre dois outros, como um elo entre o primeiro e o terceiro volumes da série de Stieg Larsson. Somos apresentados, no entanto, a uma nova trama, que se inicia com investigações sobre tráfico de mulheres. Estas investigações envolvem a revista Millennium e acabam afetando Lisbeth Salander, que se vê forçada a entrar em uma busca que não lhe agrada. Em uma noite, três assassinatos acontecem e viram a vida de todos os personagens de pernas para o ar, quando Salander passa a ser a principal suspeita. O que se segue é um emocionante jogo de gato e rato, com a polícia fechando o cerco e os personagens principais tentando descobrir o que há por trás dessa teoria da conspiração.

Este livro combina de forma interessante um clima de conspiração política com ação policial, momentos realmente impactantes (literalmente de prender a respiração) e momentos pessoais, da vida de cada personagem. Larsson constrói bem seus personagens, que trazem elementos diferentes dentro de si e são verossímeis. As interações entre eles são interessantes, e novamente vemos Larsson trazer a tona pontos como o machismo nas relações pessoais e de trabalho, o preconceito social, entre outras questões espinhosas. É fácil perceber o ponto de vista do autor nos personagens e na forma como ele os retrata, mas também não se pode dizer que Larsson ataca diretamente tais antigas mazelas da sociedade. Seu trunfo é realmente o fato de colocar estas questões nas entrelinhas, de forma velada, o que deve facilitar o processamento do livro pela maioria das pessoas e, quem sabe, gerar um ou outro questionamento em quem vê suas atitudes refletidas em personagens que não são exatamente modelos de comportamento.

A trilogia Millennium começa de forma extremamente empolgante, prendendo o leitor do começo ao fim no volume 1. Neste segundo volume, o autor parece perder um pouco os limites, com momentos que desafiam um pouco a lógica e parecem soluções tiradas da cartola. Tudo pelo espetáculo, é claro, mas não dá para dizer que não é um pouco frustrante ver situações extremamente complexas serem resolvidas num passe de mágica simplesmente porque aquele personagem é infalível ou indestrutível. Além disso, não se pode dizer que este volume tem um final; o que acontece aqui é simplesmente um intervalo para que o leitor possa providenciar o terceiro volume, já que facilmente poderiam ter sido agrupados em uma grande e única bíblia. Agradeço pela divisão, no entanto, já que eu provavelmente não conseguiria colocar um livro de mil páginas na minha mochila.

Para quem leu o primeiro livro, leia este. Se você ainda não começou a trilogia, não vai ser este o livro que vai te cativar. Mas Larsson ainda tem seus méritos e pode muito bem terminar de se salvar no terceiro volume. Continua bem recomendado.

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