Resenha – A mulher do vizinho
por Patricia
em 18/11/13

Nota:

A mulher do vizinho fernando sabino

Já mencionei aqui no Poderoso o quanto eu gosto de Sabino. Ele me ajuda em momentos de ressaca literária, tédio, animação…pode escolher. Sempre que estou desanimada, que acabei um livro que foi um pouco chato, que enrolei uma leitura, Sabino me coloca no ritmo padrão. Ler suas crônicas sempre me serviu como um remédio literário.

Sabino escreve sobre tudo e mais um pouco – acredito que isso venha tanto de sua criatividade (dizem que ele tinha contos que havia escrito aos 14 anos) quanto de sua atuação como jornalista (em um ponto de sua vida, ele escrevia crônicas diárias para o Jornal do Brasil). Material para crônicas diárias não deve ser fácil e é daqui que acredito que venha a gama enorme de assuntos que ele aborda em seus escritos.

A organização das crônicas de A mulher do vizinho não parecem seguir um tema específico. Encontramos temas mais pessoais, críticas sociais e aquelas narradas em 3a pessoa que parecem ser apenas algo que ele queria escrever, sem propósito…quase um exercício literário. Resumindo, eu diria que temos aqui os temas cotidianos de qualquer conversa de bar bem intencionada.

Amostra grátis: “[…] Mas operação tartaruga (que os serventuários me desculpem, também já fui um deles) a nossa Justiça sempre fez. Ocorreu-me sugerir então aos meus ex-colegas uma operação-lebre, certamente de muito mais efeitos, salvo melhor juízo.”

A escrita de Sabino tem certos floreios de seu tempo e o vocabulário segue o padrão “politicamente correto/incorreto” da época. No mais, confesso que essa não foi minha compilação preferida de crônicas do autor. Algumas são muito boas, mas outras são bem simplistas e não tão empolgantes. Talvez seja uma questão de momento literário, do que eu estava procurando. Mas o que quer que fosse, não encontrei nesse livro.

Destaque de coisa boa para O coração do violinista, Conversinha mineira, Dez minutos de idade e A mulher do vizinho (que você encontra na íntegra aqui.) Para mim, elas traduzem o estilo Sabino melhor do que as outras crônicas desse livro. Apesar de despretensiosas, elas carregam uma beleza e algo mais profundo debaixo da superfície.

Com uma obra extensa, imagino que não faltarão oportunidades para encontrar um Sabino que sirva para você. Infelizmente, esse aqui foi razoável mas abaixo do que estou acostumada a receber. Mas, por gostar tanto do autor, mesmo depois de não enlouquecer de amores por esse livro, continuo recomendando-o para qualquer um que goste de ler crônicas.

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