Resenha – A Rainha do Castelo de Ar
por Gabriel
em 10/05/14

Nota:

A Rainha do Castelo de Ar

A série Millennium chega ao fim! Depois de Os Homens que Não Amavam as Mulheres e A Menina que Brincava com Fogo, o autor sueco encerrou sua trilogia com A Rainha do Castelo de Ar. Para refrescar a memória, este é o último volume da obra de Larsson, já que o autor faleceu logo após a sua publicação.

Este livro segue o padrão editorial da série no Brasil, com uma bela capa alusiva à maior tatuagem da personagem principal, Lisbeth Salander. Apesar de principal, Lisbeth não é a protagonista da maioria dos capítulos deste volume (como já não era no volume anterior); o autor continua a lançar mão do recurso em que cada capítulo acompanha o ponto de vista de um personagem diferente, ainda que em terceira pessoa. Em certas partes dos livros, isto gera efeitos interessantes, como quando dois personagens agem ao mesmo tempo, mas o leitor fica sabendo em dois capítulos seguidos, o que gera uma interessante sensação de já saber de antemão o final da jornada daquele personagem. Isso não impede que Larsson gere situações inusitadas, o que é seu grande trunfo.

Se nos livros anteriores acompanhávamos Lisbeth Salander e Mikael Blomkvist em seus problemas pessoais que se cruzavam com conspirações nacionais, aqui somos alçados de vez à esfera de um grande escândalo sueco. Ministros se envolvem, grandes nomes em organizações governamentais se mobilizam e muitas forças-tarefa são lançadas ao mesmo tempo, com objetivos diferentes, visando influenciar ou definir o destino da estória. O roteiro parte de onde o segundo volume parou, no que aparentemente era uma situação resolvida. Mas o autor rapidamente desfaz o cenário razoavelmente controlado do final do segundo volume e traz novos (e mais complexos) problemas à mesa.

Este livro tem boas doses de um drama jurídico e político, ótimas passagens de espionagem e contra-espionagem, Mikael Blomkvist novamente se envolvendo com mulheres, Erika Berger às voltas com sua carreira e com problemas pessoais assustadores e Lisbeth Salander praticamente o tempo todo presa a uma cama de hospital. Vemos ações desesperadas, conspirações planejadas e uma corrida contra o tempo (de todos os lados) até um julgamento importante. A irmã de Mikael, Annika Giannini, também deixa de ser uma mera figurante e se torna de fato um personagem importante.

O roteiro do livro vem do que foi construído nos volumes anteriores e se encarrega de fechar com qualidade a trilogia de Larsson. Se o primeiro volume é talvez o que mais se destaca, este também não decepciona e amarra as pontas sem deixar de surpreender e eletrizar o leitor. Foram muitos os momentos em que fiquei tenso à espera do desfecho de um momento complicado, o que demonstra a clara vocação de thriller da obra.

O aspecto social ou mesmo o tempero feminista não aparecem tanto neste volume, que no entanto reflete bem a ação da polícia sueca e de seus políticos (o que por si só já gera comparações interessantes com o nosso cenário). Mas seus personagens femininos fortes continuam lá.

A trilogia Millennium se fecha sem decepcionar, com Larsson mostrando do que era capaz. Talvez com mais tempo e mais experiência sua obra ficasse ainda melhor. Também seria interessante ver o que o autor seria capaz de fazer com os resultados do sucesso desta trilogia, já que ele poderia se dedicar a obras mais voltadas a assuntos que claramente o moviam (e dos quais ele entendia), como políticas públicas, machismo ou grupos neonazistas. Infelizmente, isso não será possível. Para quem chegou ao final deste livro com vontade de mais Millennium, no entanto, existem alguns quadrinhos criados com base neste mesmo universo. Com certeza uma das melhores obras de seu gênero, ótima pedida para quem quer um pouco de ação, gosta do ritmo de Dan Brown ou dos filmes de James Bond. Ou para curiosos sobre a figura de Lisbeth Salander. Vale a pena.

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