Resenha – A realidade devia ser proibida
por Gabriel
em 16/12/15

Nota:

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Este livro chegou a mim pelo catálogo da parceira Companhia das Letras, escolhido pela sinopse, que me causou certo interesse; e por se encaixar no único critério da minha iniciativa de leitura de 2015: ser escrito por uma mulher. A vantagem dessa escolha sem pesos é mergulhar na obra sem preconceitos. E foi assim que a encarei.

Ao contrário do popular ditado, esta é uma obra que pode ser julgada pela capa. O acabamento feito pela editora é de alta qualidade, com uma textura que lembra uma superfície emborrachada com alguns relevos. A combinação de cores escolhida também causa certa confusão nos olhos (infelizmente impossível de replicar em uma foto, mas tente olhar para essa capa em uma livraria se puder). E esta combinação de cores inusitada também pode ser apontada como uma metáfora para o estilo do livro: uma combinação do texto refinado de Maria Clara com os neologismos, gírias e expressões jovens de sua personagem principal.

Maria Clara é capaz de mesclar frases afetadas e irônicas de sua personagem, como “E nossas falas são sempre flertes inteligentes, somos very witty nós dois, sabe?”; e reflexões como “Mas relacionamentos também são química, afinidades eletivas, deve existir alguma brecha no narcisismo para a comunhão verdadeira que eu ainda não consegui encontrar”. O estilo sem muita pontuação e que não diferencia as falas dos personagens usando travessões ou mesmo aspas contribui para uma leitura fácil e envolvente.

A personagem principal é uma garota de classe alta, talvez nos seus vinte e poucos ou quase trinta anos, que vive em meio a exposições de arte e festas regadas a drogas caras. Ao longo do livro somos apresentados a suas amizades e seus relacionamentos e o leitor facilmente se envolve com a história. As reflexões da personagem são profundas e a autora não cai em clichês fáceis, criando uma história original a partir de uma base que poderia muito bem dar em mais uma reedição de Gossip Girl.

O que me incomodou desde o início da obra foi o seu tamanho. Não que 100 páginas sejam sempre insuficientes, mas o estilo da autora faz com que cada cena tome um tempo enquanto somos levados pelo pensamento e as reflexões da personagem principal. E isso me fez ter certeza, logo de início, que eu não ficaria satisfeito ao final do livro. Dito e feito. “A realidade poderia ser diferente” é uma boa obra, uma leitura agradável, mas confesso que ao tomar contato com a forma de contar histórias da autora eu lamentei que o livro fosse tão curto. Talvez com mais páginas a personagem pudesse ser ainda melhor desenvolvida, suas reflexões tão comuns à vida de qualquer jovem adulto contemporâneo pudessem ser ainda mais exploradas. Acho que dobrar o número de páginas faria muito bem a este livro.

Se poucas páginas são uma má característica para quem gostou da história, são também uma garantia de que o leitor está arriscando pouco ao dar uma chance à obra. Vale a pena passar um tempo entrando no universo da personagem criada por Maria Clara Drummond; seja para se identificar, seja para identificar figuras conhecidas… ou para conhecer um mundo do qual nada se conhece. Boa leitura.

*****

O livro foi enviado pela editora.

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