Resenha – A Redoma de Vidro
por Gabriel
em 13/06/15

Nota:

A Redoma de Vidro

Sylvia Plath é um nome que já tinha passado por mim diversas vezes. Especialmente desde que comecei a buscar obras escritas por mulheres, seu nome pipocou em diversas fontes. E finalmente consegui tirar a autora e sua obra mais famosa da lista de pendências.

The Bell Jar, ou A Redoma de Vidro em sua versão em português, é a obra autobiográfica que fez de Sylvia Plath um nome famoso. Nele, a autora conta a história de Esther Greenwood, um alter-ego para si mesma, que vive uma vida comum de garota na faculdade na metade do século XX. Até que essa vida comum é abalada por uma condição psiquiátrica a que Esther se refere como A Redoma de Vidro.

Ao longo das páginas desta história, o leitor conhece a vida de Esther Greenwood e acompanha algumas de suas desventuras, completamente normais e até mesmo familiares para quem viveu na faculdade – provavelmente ainda mais para mulheres. São homens inconvenientes, festas, eventos chatos e amigas falsas ou reais. Isso tudo acontece num ritmo bem parecido com o de um romance atual, dando à obra um caráter atemporal interessante. E de repente, tudo muda quando Esther começa a se sentir diferente.

A personagem é então internada em uma clínica e passamos a acompanhar a sua vida lá, agora muito mais controlada. Suas atribulações agora são muito mais internas e vemos Esther brigando com sua mãe, suas companheiras de clínica ou mesmo temendo um tratamento de choque. A passagem da autora por essa fase de sua vida é detalhada em níveis muito extremos, com passagens de sua vida real retratadas com nomes fictícios apenas para preservar as pessoas envolvidas.

Sylvia Plath escreve num estilo extremamente atual. O romance foi publicado originalmente em 1963 mas mantém uma linguagem muito parecida com alguns autores de hoje em dia e é de leitura muito fácil. A escrita de Plath é fluida mesmo quando o assunto é denso e difícil como falar de sua própria condição mental e de um passado complicado. É um livro agradável de ler, porém mostra claramente o impacto que algo assim tem na vida de pessoas até então “normais” e às voltas com os dilemas medianos da maioria de nós.

A Redoma de Vidro, no entanto, é um livro comum. Não seria nada demais se não fosse a história de sua autora, que infelizmente anos depois perderia a batalha contra sua própria condição psiquiátrica e se suicidaria. Plath foi uma escritora brilhante e que provavelmente tinha muito por oferecer se pudesse evoluir sua escrita por mais tempo; sua obra, porém, marcou o mundo como uma obra sincera e de qualidade de uma autora que realmente viveu o que relatava. Um clássico essencial.

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