Resenha – A Revolução Dos Bichos
por Ragner
em 18/10/13

Nota:

Índice

 

Demorei um bocado para ler o livro, mas o momento é propício e o entendimento é fundamental para ajudar em sala de aula, já que pedi para meus alunos que o lesse. Como estamos em uma época em que o povo está se movimentando mais, onde pessoas vão às ruas para se manifestar por algo em que acredita, estou contente de saborear melhor um livro que tem por demais identificação com o que passamos em momentos de “revolução”, seja no passado ou no presente.

Enquanto vivenciamos questões humanas de racismo, pré-conceito e “sabe com quem tá falando?”, diariamente, somos então transportados para uma realidade fora da nossa e eu posso entender aqui como uma forma de jogar na cara de muita gente, algo que muito não percebemos quando é com a gente, ou mesmo do nosso lado. Aqui temos uma metáfora relacionada à questões de âmbito sócio-político. Deixa mais do que evidente uma relação com nossa história de luta e revolta, com os pós e contras que caracterizam tudo que já aconteceu e AINDA acontece.

Acompanhamos o dia a dia de uma fazenda, onde os animais estão cansados de serem tratados da pior maneira possível e serem muito mal recompensados ou valorizados por isso. Cada vez mais cansados e cada vez menos entendidos como peça fundamental de tudo que existe. Após um pronunciamento cheio de motivação e esclarecedor de um idoso porco – Major – os demais animais começam a prestar atenção em como poderiam viver melhor se fossem governados por eles mesmos, sem qualquer relação com humanos. Mas Major morre e sem uma liderança pronta, os animais passam a entender que os porcos eram os mais bem preparados ou mais inteligentes para estar à frente de uma rebelião.

 

 

Jones – dono da fazenda – sempre tratou os animais da pior maneira possível e depois de mais um descaso, a gota d’água transbordou e a revolta tomou corpo, expulsando todos os humanos da fazenda. A Granja do Solar passa a ser conhecida como Granja dos Bichos. Hino e mandamentos passam a ser lei:

 1. Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo.
2. Qualquer coisa que ande sobre quatro pernas, ou tenha asas, é amigo.
3. Nenhum animal usará roupas.
4. Nenhum animal dormirá em cama.
5. Nenhum animal beberá álcool.
6. Nenhum animal matará outro animal.
7. Todos os animais são iguais.

Podemos acompanhar as desavenças entre Bola-de-neve e Napoleão – os dois porcos responsáveis pelas decisões, até Napoleão expulsar Bola. – alguns animais que lutam mais ou menos, trabalham mais ou menos, ajudam mais ou menos. A disputa pelo poder entre quem pensa de forma mais racional ou emocional. Os que preferem o diálogo e o pensar no futuro enquanto outros preferem se aproveitar de ocasiões e passar por cima de todos. Temos as contraposições entre os que são mais fortes e subjugam os mais fracos. Temos presente aqui tudo que caracteriza ou já caracterizou as batalhas revolucionárias humanas.

 

 

O livro já foi criticado por ser uma exposição crítica ao comunismo, mas sabemos que qualquer tipo de revolução já promovida pelo homem, pode causar o que lemos aqui. A causa e consequência de tudo que transforma, seja pro bem ou pro mal, está no homem (ou no animal) e não na ideia em si, que pode ser mesmo interessante e trazer benefícios, mas quem a promove, tem sempre destruído tudo o que ele mesmo acredita.

A história é uma aula de política, uma metáfora explorada de forma extremamente clara e inequívoca de como quem luta pelo poder, pode acabar sendo influenciado da pior maneira possível, logo depois de perceber que parece estar acima de tudo e de todos.

 

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4 Comentários em “Resenha – A Revolução Dos Bichos”


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monster high em 08.10.2014 às 22:05 Responder

Nao gostei muito

Ragner
Ragner em 09.10.2014 às 21:27 Responder

Não gostou da resenha ou do livro?

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Gil brother em 05.02.2015 às 15:21 Responder

È, da resenha ou do livro?

Garotinho Leite com Pêra

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Israel Matheus em 25.03.2015 às 21:32 Responder

O livro é ótimo.
Toda a questão de socialismo e ditadura, traição, sede de poder, a linguagem e os contrastes da vida social entre eles realmente são qualidades p todos se satisfazerem lendo e tê-lo como um recurso de estudo. Recomendo principalmente quando estiverem estudando Política em Filosofia.


 

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