Resenha – A Traição
por Patricia
em 05/11/12

Nota:

[Contém spoilers – Se você não leu o primeiro livro da série, esta resenha terá spoilers. Se quiser saber mais sobre o primeiro volume – A Farsa – clique aqui. Sobre o segundo volume – A vingança – clique aqui.]

Enfrentando uma crise de consciência (depois de descobrir que sua mulher trabalhava para a CIA – ou não), Jonathan se muda para o Afeganistão – porque esse é mesmo o melhor lugar para se evitar confrontos com os americanos e/ou russos – onde trabalha como médico itinerante ajudando as pessoas das vilas pobres que não podem arcar ou chegar até um médico. Ele conta com Hamid, um hazara afegão estudante de medicina que, para aprender, o segue e o auxilia em cirurgias absurdas e tratamentos milagrosos.

Rapidamente, a fama de Jonathan ultrapassa os pequenos vilarejos e chega até o conhecimento de um dos militantes talibãs mais cruéis – Sultan Haq. Haq sequestra Jonathan e Hamid para tratarem de seu pai que está doente. Mas aí descobrimos que tem muito mais coisa por trás da situação e Jonathan e Hamid se vêem em meio a um tiroteio perverso em que devem lutar por suas vidas.

Enquanto isso, também descobrimos o que Emma anda aprontando. Ela voltou a fazer o que faz de melhor – espionar. Durante uma transação estranha, ela é sequestrada e torturada. Jonathan é o único que pode salvá-la. O que achei bem estranho mas…enfim…o autor precisa interligar as histórias de alguma maneira, certo?

No meio disso tudo, é possível que um míssil nuclear com 15 vezes mais potência do que a bomba de Hiroshima esteja próximo de cair nas mãos de quem não deveria. O míssil caiu em uma montanha quase na fronteira entre Paquistão e Afeganistão em 1984 quando os americanos tentavam levá-lo para a Rússia.

Jonathan começa a ser treinado para se tornar um verdadeiro espião e tentar encontrar Emma além de terminar o que quer que ela estivesse fazendo. Aqui tem toda uma vibração Jogos de Espiões. O estilo do livro segue o mesmo que o primeiro e o segundo – com capítulo curtos que alternam as histórias e que terminam em um gancho para deixar o leitor curioso. Tem muitas cenas de ação mas o ritmo me pareceu um pouco mais calmo.

Talvez porque o próprio Jonathan escolheu acalmar sua vida depois da tristeza de saber a verdadeira identidade de sua esposa. Talvez o autor não tenha conseguido manter o ritmo insano quando precisava nos explicar e nos contextualizar nos meses que separam as histórias dos dois primeiros livros para esse. A Traição lida com a realização de que qualquer um pode fingir ser o que não é. E agora, é a vez de Emma descobrir isso.

O miolo do livro, que envolve o treinamento de Jonathan e sua primeira missão oficial, é morno. Perde para o primeiro livro que tem tanta ação que chega a ser difícil largá-lo (o segundo já havia começado a decair um pouco mas ainda assim, me manteve presa nas páginas). Não acho que esse mantém o ritmo. Mas isso é exlicável justamente porque Jonathan está aprendendo…então realmente tem mais teoria do que prática.

Além disso, enquanto eu aplaudi a idéia de vilões alternativos que o autor criou no primeiro livro, ele voltou ao clichê de vilões que conhecemos há anos. É complicado, mas eu já esperava algo assim. O autor criou um primeiro livro de muito sucesso e tentou repetir a fórmula quase até a vírgula no segundo e no terceiro mas, infelizmente, nem sempre isso dá certo.

Nesse livro, a história começa a pegar ritmo mais tarde. E, até chegar aqui, a coisa pode ficar um pouco mais arrastada.

Há algumas reviravoltas para nos manter empolgados, claro. Mas não se comparam às que vemos no primeiro livro e um pouco no segundo. Algumas cenas podem ser previstas quase 50 páginas antes se você é fã de histórias desse tipo. É quase como se o autor seguisse um roteiro muito específico.

O final do livro deixa um gancho para o próximo (aparentemente essa não é uma trilogia e sim uma série). Que depois desse, eu não tenho certeza de que quero ler. E se não for um gancho para um próximo livro e for o final da trilogia, é um dos piores finais na história das galáxias.

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