Resenha – A Verdade É Uma Caverna Nas Montanhas Negras
por Ragner
em 10/04/15

Nota:

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Uma pessoa que sabe muito bem trabalhar com fantasia e histórias adultas, tudo junto, sem frescura e com conteúdo é Neil Gaiman e alguns livros dele já fazem parte do nosso grande acervo literário (com maior orgulho escrevo isso). Faltam ainda enveredarmos pelas Graphic Novels dele, mas já já chegaremos lá.

Costumo pensar que ele é o Tim Burton da literatura e tenho uma vontade enorme de conhecer e ler Sandman, mas tal comparação é guardada as devidas proporções e meu interesse pela obra de Gaiman só tem aumentado ultimamente. Claro que muita coisa a conhecer falta, muito a ler idem, mas aquele entendimento de que sua obra me interessa bastante, já existe e é determinante para eu já separar um espaço fiel em minha biblioteca particular.

“A verdade é uma caverna nas Montanhas Negras. Há somente um caminho até lá, e um caminho apenas. Um caminho árduo e traiçoeiro. E se seguir na direção errada, vai morrer sozinho na montanha.”

A Verdade é um pequeno conto que envereda sobre relações familiares e questões que incluem personagens cheios de história e conteúdo. A priori pode muito bem passar por um conto que relata os acontecimentos na vida de um anão que deseja encontrar ouro em uma caverna no alto de uma montanha, o conto pode passar também por uma história que vai contando todas as dificuldades desse anão e seu guia, que precisam passar por caminhos difíceis até chegar à caverna, mas também seguir o entendimento de que a aventura dos dois possui muito mais significados do que a aventura de se chegar a uma montanha e entrar em uma caverna que cobra o preço de parte a alma de quem pega o máximo de ouro que consegue carregar.

“- E o que recebe em troca pelo ouro que oferece a eles? – Pouca coisa, pois não necessito de muito, e sou velha; velha demais para seguir minhas irmãs para o Oeste. Saboreio o prazer e a alegria dos que me visitam. Alimento-me, um pouco, daquilo de que eles não precisam e a que não dão valor. Um gostinho do coração, uma lambida ou mordida de sua consciência tranquila, um pedacinho da alma. E, em troca, um fragmento de mim deixa esta caverna ao lado deles e vê o mundo por seus olhos, enxerga o mesmo que eles até que suas vidas cheguem ao fim e eu receba de volta aquilo que me pertence.”

Um anão com remorso se indaga se seria capaz de se perdoar e é assim que começa essa história. Se perdoar por ter odiado sua filha, por ter pensado que ela tivesse fugido e seu desejo de redenção e, podemos dizer também, justiça o faz passar dez anos em uma busca. O anão queria chegar as Montanhas Negras e para isso conseguiu um guia, o senhor Calum MasInnes. A viagem dos dois é pincelada por acontecimentos que vão interpretando a vida de ambos e nos mostrando um passado que pode responder questionamentos que o presente indagava. Ao chegar a Caverna onde qualquer quantidade de ouro é possível de ser levada, os traumas do anão e seu perdão podem encontrar a redenção que tanto deseja.

A Verdade é um pequeno livro ilustrado, com um trabalho performaticamente interessante, com tons classicamente escuros, em boa medida sombrios e traços que se diferenciam muito bem quando a história pede uma identificação mais límpida, rascunhada ou até embaçada. A Verdade vai além do que sua história delimita em suas páginas, a fantasia de Neil é algo mesmo diferenciado e tem ganhado em mim um fã que já quer ter carteirinha.

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O livro foi enviado pela editora. 

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